Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019
MEIO AMBIENTE

Desmatamento na Amazônia cresce 88% até junho, aponta Inpe

Queimadas está entre fatores de maior prejuízo para a floresta. Governo decretou situação de emergência por conta do aumento de focos de calor



queimadas__527568DB-7D38-4F61-AFEF-9BA8022E9C16.JPG Foto: Marcelo Cadilhe/ A Crítica
06/08/2019 às 07:11

A maior floresta tropical do mundo é também a que possui maior quantidade de área desmatada. A informação é do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que registrou, até o mês de junho, um total de 920,4 km² de desmatamento na Amazônia Legal brasileira. O aumento foi de 88% em comparação ao mesmo período do ano passado, e é o pior desempenho desde 2016.

A estatística está relacionada, entre outros fatores, com o registro de queimadas e focos de calor, deixando a floresta em sinal de alerta no que diz respeito aos meios de produção, agricultura familiar, extrativismo vegetal ou mesmo vidas. É o que explica o mestre em Ecologia e Analista de Projetos e Pesquisas da Fundação Vitória Amazônica (FVA), Marcelo Augusto dos Santos Junior.

“O uso do fogo pode perder controle, queimando roçados, casas e a floresta, gerando consequências como o comprometimento da segurança alimentar de pequenos agricultores e a degradação da floresta, tornando-a suscetível a novos incêndios, podendo levar ao desmatamento, além da grande concentração de fumaça”, diz.

De acordo com a Secretaria de Estado e Meio Ambiente (Sema), entre janeiro e julho de 2019, o Amazonas registrou 1.699 focos de calor. A maior concentração foi no município de Apuí, a 453 quilômetros de Manaus. Depois, aparecem: Novo Aripuanã (152 focos), Lábrea (119), Manicoré (94), Canutama (71), Humaitá (54), Boca do Acre (32), Maués (30), Manacapuru (18) e Autazes (10). No ano passado, nessa mesma época, foram registrados 327 focos, concentrados principalmente nos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Autazes.

Situação de Emergência

Devido ao aumento no número de focos de calor, o governo do Estado assinou, na sexta-feira (2), um decreto para declarar situação de emergência no Sul do Estado e na Região Metropolitana de Manaus, devido às consequências do desmatamento ilegal e das queimadas não autorizadas. Para o secretário estadual de Meio Ambiente, Eduardo Taveira, a medida irá solucionar de maneira mais rápida o problema, minimizando os impactos ambientais.

“O objetivo do decreto é dar mais agilidade ao deslocamento das forças de combate às queimadas para que a resposta ao aumento identificado tenha efeitos imediatos”, disse.

Monitoramento

Desde o mês de julho, há um procedimento preparatório por parte do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Estado para monitorar as ações administrativas do Estado e do Município. O procurador de contas, titular da Coordenadoria do Meio Ambiente, Ruy Alencar explicou os próximos passos. 

“Se ficar constatada a omissão e a negligência em relação a esse dever fundamental exigido constitucionalmente, os gestores eventualmente culpados, poderão sofrer sanções de multas, condenação a ressarcir danos ambientais e ter suas contas reprovadas”, destacou.

Danos irreparáveis

A expansão do desmatamento tem sido a dura realidade no Amazonas nas últimas décadas. O uso do fogo para limpeza de pequenas áreas para a agricultura tradicional amazônica é milenar, mas infelizmente seu uso é também a principal forma de se expandir o desmatamento, que é mais intenso em regiões intensivamente ocupadas e que também correspondem aos principais eixos rodoviários e arredores de núcleos urbanos no estado. As consequências deste processo que tem se intensificado nos últimos anos são: a perda gradual e permanente da cobertura florestal natural e a biodiversidade associada. Há um aumento também de queimadas em áreas de várzea e igapó, causando danos irreparáveis também à biodiversidade aquática, uma vez que as florestas inundáveis que servem de refúgio e área de alimentação para muitas espécies durante as cheias deixam de existir.

Exoneração após declarações

Após polêmica envolvendo o presidente Jair Bolsonaro (PSL) sobre os registros do avanço do desmatamento na Amazônia, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, anunciou na última sexta-feira (2) que será exonerado do cargo.

"Minha fala sobre o presidente gerou constrangimento, então eu serei exonerado", declarou.

O embate teve início em 19 de julho, quando o chefe de Estado contestou os dados do Inpe que mostravam aumento de 88% no desmatamento da floresta amazônica em comparação com o mesmo período do ano passado.

"Pelo nosso sentimento, isso não corresponde à verdade e parece até que (o presidente do Inpe) está a serviço de alguma ONG", afirmou Bolsonaro.

A comunidade científica manifestou apoio a Galvão.

O Inpe, vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, é responsável por monitorar a Amazônia desde 1988. O órgão  divulgou novos dados ambientais, dessa vez sobre aumento de 40% no desmatamento nos últimos 12 meses.

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