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Amazônia
PESCA

Devido à crise, pescadores definem novo preço para venda do pirarucu

Seminário realizado em Fonte Boa reuniu pescadores da RDS para definições em relação ao manejo do peixe 17/06/2016 às 14:55 - Atualizado em 17/06/2016 às 15:32
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No ano passado os pescadores sofreram com a concorrência desleal na RDS (Arquivo AC)
Luana Carvalho Manaus (AM)

Depois da ameaça de encerramento do primeiro programa de manejo de pirarucu no Amazonas, por conta das dificuldades de negociação de vendas, conforme foi relatado pela Associação dos Moradores e Usuários da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (Amurmam) em dezembro do ano passado, os pescadores definiram o novo preço do charuto do pirarucu durante seminário que aconteceu no município em Fonte Boa (a 678 quilômetros de Manaus), na semana passada.

Participantes do primeiro “Encontro de Discussão da Cadeia de Comercialização do Pescado Com Ênfase no Pirarucu Produzido pelas Áreas de Manejo’ definiram que o valor do charuto, inteiro e viscerado, será de R$ 5,50 a partir de agora para a compra no local. “Ninguém vai vender por menos que isso”, alertou Edson Gonçalves, representante do setor Maiana. Ao todo, 230 pescadores de 15 setores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá participaram das negociações para a definição do novo pacote de preços.

“Discutimos muito a questão do valor do pirarucu, para estipularmos o preço mínimo que possa ser viável tanto para o empresário que irá comprar da comunidade, quanto para o pescador. Estipulamos um preço e esperamos que todo o Estado leve em consideração esta negociação”, frisou Edson.

No ano passado, os pescadores chegaram a vender o quilo a R$ 3. “Teve comunidade que teve quase R$ 100 mil de prejuízo”, comentou. O valor havia caído por conta da venda clandestina do pirarucu, tanto da reserva quanto de outras áreas de exploração. Sem fiscalização eficaz, pescadores ilegais invadem os lagos, retiram os peixes e vendem por um preço mais barato. Por este valor, ficou inviável para os pescadores legalizados conseguirem cobrir as despesas da captura.

Falta de apoio

Atualmente, 22 áreas fazem o manejo do pirarucu na RDS. Todos foram convidados, inclusive representantes do governo. Porém, ninguém da Secretária de Estado de Produção Rural (Sepror) compareceu para a discussão com a principal comunidade produtora de peixe manejado no Amazonas.

“Não tivemos um representante do Estado participando do seminário, que foi um momento importante para definir a questão do pescado. Temos muitos problemas como falta de infraestrutura para o armazenamento, barco para o escoamento da produção, falta uma base de financiamento, e esperávamos a presença do Estado para buscar soluções junto conosco”, frisou Edson.

Os seminários aconteceram durante a última quinta-feira e sexta-feira, no município de Fonte Boa, distante 678 quilômetros de Manaus e base principal da RDS.

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