Sábado, 19 de Outubro de 2019
DOBRADINHA CURIOSA

'Dia da Árvore' é comemorado anualmente em dose dupla no Norte do país

Além do dia 21 de setembro, um Decreto de 1965 instituiu, na região Norte, a 'Festa Anual das Árvores', a ser celebrada na última semana de março



show_IMG-20190810-WA0020_2EDA2DB0-11D1-4814-A9F6-38D81EA700B7.jpg Foto: Junio Matos
21/09/2019 às 13:31

Você sabia que o Brasil celebra o Dia da Árvore em dois dias diferentes? Além do dia 21 de setembro, em fevereiro de 1965 foi sancionado o artigo 3° do Decreto Federal 55795, que instituiu que a “Festa Anual das Árvores” deveria ser celebrada na última semana de março na região Norte. A motivação foram as diferenças características climáticas da região em relação ao Sul e o Sudeste.

Nesse caso, o decreto alcança os Estados do Amazonas, Acre, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Amapá, Roraima, Rondônia e também Fernando de Noronha (Pernambuco). Segundo o decreto, o 21 de setembro (o Dia da Árvore mais conhecido) deveria ser celebrado apenas nos Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.



Mesmo assim, as instituições de ensino do Estado e até mesmo instituições de pesquisa ainda celebram a árvore no dia 21 de setembro. O que, segundo a professora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Elizabeth Santos, é um equívoco.

‘’Na região Norte o dia da árvore deve ser festejado na última semana do mês de março porque, em setembro, estamos num período de estiagem. É impossível que as mudas distribuídas nessa época possam lograr êxito em seu desenvolvimento. Ou seja, há desperdício de recursos financeiros com o plantio das mudas para serem disponibilizadas à população numa data que não é propícia a essa atividade’’, explanou ela, que é doutora em educação ambiental pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

O que inquietou ainda mais a especialista em relação a essa ‘’celebração equivocada’’ foi quando o neto dela chegou da escola com uma muda na última sexta-feira. ‘’As instituições de ensino do Amazonas insistem em seguir a data celebrada do Sul e o Sudeste, embora tenhamos uma data de acordo com a nossa realidade climática. Celebramos uma primavera que não existe em nossa região’’, defendeu.

Ainda de acordo com Santos, outra questão que precisa ser associada à ‘’Festa Anual das Árvores’’ é o índice alarmante de desmatamento da região amazônica.

‘’O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgou que em janeiro de 2019 a Amazônia Legal perdeu 108 Km2 de florestas, um aumento de 54% em comparação ao mesmo período do ano anterior, o que compromete as ‘’fruteiras da Amazônia’’ (dessas que ‘’dão no mato’’, expressão usada por muita gente), que precisam ser conhecidas e valorizadas pela população, para que se efetive o plantio e institucionalização de políticas públicas que valorizem o potencial nutricional até mesmo para impulsionar a conservação e preservação dessas espécies nativas que estão sendo ameaçadas de extinção pelo desmatamento’’, reforçou.

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Repórter do caderno de Cidades - Jornal A Crítica

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