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Distrito Naval forma a primeira turma de marinheiros fluviais indígenas e ribeirinhos do AM

Ao todo, 35 alunos da comunidade de São João do Tupé participaram de oito dias de aulas, onde mais da metade foram aprovados no término do Curso de Formação de Marinheiros Fluviais Auxiliares de Máquinas e Convés 16/12/2014 às 10:47
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Raimundo Kissibi Kumo, pajé e líder da associação indígena de posse do certificado expedido pela Marinha do Brasil
Oswaldo Neto Manaus (AM)

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O Amazonas ganhou nesta segunda-feira (17), 29 novos marinheiros da comunidade de São João do Tupé (a 25 quilômetros de Manaus) aptos a navegar pelas nossas “estradas”. O indígena da tribo Dessana, José Maria Diakuru, 38, faz parte dessa turma e sabe desde criança como pilotar um barco pelos rios que cortam a cidade. Apesar disso, ele assegura que com a Carteira de Habilitação de Amador, as coisas irão mudar. “Com banzeiro ou sem, agora é só mostrar a habilitação”.

Todos os alunos do Curso de Formação de Marinheiros Fluviais Auxiliares de Máquinas e Convés (CFAQ - II C/M N1) tiveram seus documentos entregues na Associação Indígena Umuri Díro Mahsã, localizada em Zona Rural. Ao todo, 35 alunos participaram de oito dias de aulas realizadas no Centro Técnico de Formação de Fluviários da Amazônia Ocidental (CTFFAO), Centro, onde mais da metade foram aprovados no fim.

Lá, os estudantes aprenderam uma série de atividades como regras de sinalização, combate a incêndios, uso de equipamentos, primeiros-socorros e preservação ambiental.

O repasse dos certificados e carteiras ocorreu na oca da comunidade, que possui atualmente 39 indíos das tribos Dessana, Barassana, Tuiuca e Tukano. O pajé da comunidade, Sr. Raimundo Kissibi Kumo, ressalta a importância da iniciativa para os moradores do local. “É muito importante para nós. Aqui muita gente não têm estudo e quando o capitão falou, eu quis trazer isso pra cá pro Tupé”, contou Kissibi, que é pajé da comunidade há 11 anos.

Segundo o comandante do 9º Distrito Naval, o vice-almirante Domingos Sávio, o fim do projeto traz satisfação para a Marinha do Brasil. “Eles são exemplo do que temos que fazer em toda a Amazônia. Se os índios e ribeirinhos podem tirar carteira, todos podem tirar carteira. Isso é um grande passo para nós”.

Além dos índios, os ribeirinhos da São João do Tupé também foram contemplados durante a ação da Marinha. Moradora do Tupé há 19 anos, Alice Reis Batista, 32, conta que aprendeu a pilotar “rabetas” bem cedo. Ela revelou que a partir de agora irá se sentir mais confiante para transitar nas águas. “Agora é mais seguro, se ‘pegarem’ a gente já tem carteira. Fico feliz porque sou mulher e passei. Isso também mostra o quanto estamos conquistando espaço”, completou.

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