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Amazônia
Sustentabilidade

Do lixo ao lucro: engenheiro floresta fabrica móveis à base de resíduos de madeiras

A empresa Amazônia EcoDesign reaproveita os paletes e outros resíduos de madeiras, que muitas vezes são descartados no meio da rua, para a confecção de móveis e objetos de decoração para casas 10/07/2016 às 20:49 - Atualizado em 11/07/2016 às 14:03
Show moveis palete evandro
Empresário busca novas parcerias para projeto inovador e sustentável (foto: Evandro Seixas)
Kelly Melo Manaus (AM)

A ordem é reaproveitar. Assim é o pensamento do engenheiro florestal Leonardo Brandão, 35, que enxergou no “lixo” a possibilidade de transformar resíduos de madeira, como paletes, em artigos de luxo e lucro sem deixar de lado a visão de sustentabilidade.

A ideia dele ainda é recente, mas o engenheiro criou uma empresa, a Amazônia EcoDesign, onde ele reaproveita os paletes e demais resíduos de madeiras, que muitas vezes são descartados no meio da rua, para a confecção de móveis e objetos de decoração para casas. Agora, ele busca outras parcerias para dar “um gás a mais” ao empreendimento. 

Tudo começou como hobby. Na casa dele, praticamente todos os móveis e artigos de decoração  foram construídos pelas suas próprias mãos e chamam a atenção de qualquer pessoa que o visita. Apesar do requinte e do toque artesanal, o sofá foi construído com várias peças de paletes retiradas do lixo. O material foi lixado, tratado, pintado e hoje, é um dos “xodós” do empreendedor, assim como o baú e estante que completam a decoração da sala. 

O engenheiro florestal comentou que sempre se viu incomodado com a quantidade de materiais que são desperdiçados no meio ambiente diariamente. Na opinião dele, tudo pode ser reaproveitado. “Creio que por uma questão cultural, as pessoas não costumam dar valor aos paletes aqui em Manaus. Mas em outros locais, esse tipo de material é considerado artigo de luxo. Essa madeira é de boa qualidade e tem mais resistência que o MDF, por exemplo”, defende ele, que além de manter a característica moderna dos objetos, também faz questão deixá-los com uma “cara” mais rústica também.

Outro ponto destacado pelo engenheiro e empreendedor é que todos os resíduos que futuramente serão transformados em móveis, são trabalhados de forma manual, para manter a característica proposta por Leonardo. Ele também afirma que, mesmo com esse mecanismos, os móveis de paletes podem sair mais baratos para os clientes, se comparados com os móveis convencionais. “E a pessoa ainda vai ter um produto com mais resistência e durabilidade que o MDF”, pontuou.

Sinapse Inovação

A Amazônia EcoDesign está em processo de encubação e a iniciativa só se tornou possível com o financiamento por meio do  programa Sinapse Inovação, uma parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam) e a Fundação Centro de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi), de Santa Catarina. 

O projeto de Leonardo Brandão foi um dos 40 selecionados entre mais de 1,1 mil  propostas recebidas pelo edital, aberto no Estado, no ano passado. 

De acordo com  Leonardo, o  financiamento, no valor de R$ 50 mil, será investido no aprimoramento da pesquisa. O objetivo dele é poder, em breve, poder produzir em escala os móveis de paletes. “Futuramente, esse projeto poderá criar uma cadeia produtiva, gerando empregos e renda  e quem sabe até em comunidades rurais”, finalizou.

Capacitação e suporte por seis meses

O principal objetivo do programa Sinapse da Inovação é transformar e aplicar as boas ideias geradas por estudantes, pesquisadores, professores e profissionais dos diferentes setores do conhecimento e econômicos em negócios de sucesso. No Amazonas, o programa é desenvolvido pela  Fundação de Amparo à Pesquisa no Amazonas (Fapeam), que disponibilizou para o Programa R$ 2 milhões em recursos, que foram destinados aos 40 projetos selecionados. Cada participante aprovado receberá R$ 50 mil para desenvolver sua ideia.

Além do recurso, o financiamento também prevê capacitação e suporte, durante seis meses, para o desenvolvimento do  produto inovador. “Eu sempre tive essa visão do reaproveitamento, de ajudar a natureza. Quando criança, sempre fazia os meus brinquedos. Na primeira vez que eu vi os paletes jogados na rua achei  a estrutura bonita, aqueles pedaços de madeira bem cortados e retos, pensei na hora que aquele material poderia ser utilizado de diversas formas”, disse o engenheiro florestal Leonardo Brandão.

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