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Doenças da vazante: descida das águas traz tantos problemas à saúde quanto a enchente dos rios

Lixo de todos os tipos e tamanhos ficam retidos nas margens após a cheia. Ao todo, seis cachorros já morreram depois do início da descida das águas 09/09/2015 às 09:36
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Lixo retido nas margens leva doenças para pessoas e animais
Nelson Brilhante Manaus (AM)

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Se a enchente dos rios faz “estragos” na Amazônia, a descida das águas não é diferente. O que sobra da cheia provoca efeitos até catastróficos e não só para o ser humano. Na semana passada, no bairro da Glória, Zona Oeste, seis cães morreram com os mesmos sintomas. Os proprietários não têm dúvidas de que os animais foram vítimas de algum vírus ou bactéria gerado durante o processo de enchente e vazante.

O autônomo Luciano Moraes do Nascimento, 33, já vendeu sua casa flutuante porque tem medo que seus quatro filhos fiquem contaminados pelo que a enchente deixou. Outro motivo é a chegada do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim).

“Eu já estou há bastante tempo nesse flutuante, só que ficava no outro lado do rio. Mudei pra cá (igarapé do São Raimundo), mas acabei de vender. Deu uma doença feia, que matou um monte de cachorros e fiquei com medo”, revela Nascimento.

Ele está comprando uma casa no bairro Rio Piorini,  Zona Norte , e justifica a decisão. “A descida da água é pior que a enchente, porque tudo de imundice vai ficando exposta. É uma fedentina insuportável. Tem até caramujo africano. Então, é melhor morar em terra firme”, argumenta Luciano.

Enquanto não se muda, Luciano e família são protegidos, basicamente, pelo “Guerreiro”, um cachorro vira-lata, que assusta pelo tamanho e pela disposição em atacar desconhecidos. O nome do canino não é por acaso. “A gente já morava em flutuante, ele era pequeno, caiu na água, não sabia nadar, mas a gente conseguiu evitar que ele morresse. Hoje é o soldado da casa“, explica o dono do cão.


Seis cães já morreram após o início da vazante

Moradora no bairro da Glória há 35 anos, a comerciante Lucimar dos Santos Marques, 74, nunca havia sentido um efeito tão agressivo do ciclo natural do movimento das águas.  “Espero que, com essa limpeza do Prosamim no igarapé, as coisas melhorem, porque senão a gente vai ter que sair daqui. Caiu o movimento comercial porque várias famílias que moravam aqui foram deslocadas para outro lugar”, reclama a comerciante.

Nove deixam a emergência

Nove municípios atingidos pela enchente deste ano deixam de fazer parte da lista Emergencial da Defesa Civil do Estado. Com isso, subiu para 25 o número de municípios que saíram da situação de emergência, além de Boca do Acre, que deixou a condição de  calamidade pública. De acordo com análise técnica do órgão, as novas localidades poderão fazer parte da “Operação Vazante”.

Os novos municípios que saíram da emergência são: Caapiranga, na calha do Baixo Solimões; Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Tonantins e Jutaí no Alto Solimões; Coari e Fonte Boa, no médio Solimões e ainda, Beruri e Tapauá, no Purus.

“Apesar do período de emergência ter encerrado nessas localidades, a Defesa Civil do Estado continuará prestando assistência às famílias que foram prejudicadas pela cheia, até que se restabeleça completamente a normalidade social”, ressaltou o subcomandante da Defesa Civil, coronel Fernando Pires Junior. O titular da pasta, coronel Roberto Rocha se recupera de um  Acidente Vascular Cerebral (AVC), no início de junho, quando estava em missão na Alemanha.

Prosamim

O Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim) está sendo implantado próximo à ponte do São Raimundo. Vários barracos já foram retirados. Até o momento, a área está sendo protegida por tapumes do projeto.

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