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Amazônia
Empreendedorismo social

Projeto quer arrecadar R$ 15 mil para levar energia solar a comunidades ribeirinhas

A iniciativa do projeto ‘Luzes sobre a Amazônia’ é do Instituto Dharma, que disponibiliza gratuitamente luz solar às famílias ribeirinhas para que, principalmente as crianças e os jovens, possam estudar à noite 20/08/2016 às 13:33 - Atualizado em 21/08/2016 às 08:57
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O empreendedor Marcelo Casoni mostra um kit com luz acesa (Foto: Evandro Seixas)
Silane Souza Manaus (AM)

Energia limpa e sustentável aliada ao empreendedorismo social é o que oferece o projeto “Luzes sobre a Amazônia”, que pretende iluminar a região e contribuir para uma vida mais digna aos povos tradicionais. A iniciativa é do Instituto Dharma, que disponibiliza gratuitamente luz solar às famílias ribeirinhas para que, principalmente as crianças e os jovens, possam estudar à noite, uma vez que durante o dia estão na roça com seus pais. 

O fundador do Dharma, Marcello Casoni Ayurus, conta que o projeto nasceu há dois anos e meio e conta com a generosidade de doadores para que seja executado inicialmente no Município de Novo Airão (a 115 quilômetros de Manaus). “Através de doadores, que sensibilizados pela extrema vulnerabilidade social destas famílias, doamos um kit de iluminação solar desenvolvido pelo próprio instituto e ainda ensinamos aos ribeirinhos como fabricar e montar os kits e lâmpadas”, disse.

Conforme Casoni, o projeto atendeu 15 famílias de uma comunidade na sede de Novo Airão, conhecida como Invasão do Alemão, e outras dez na comunidade ribeirinha Santo Antônio. Agora, o objetivo é atender as famílias das comunidades Sobrado e Renascer, localizadas no entorno do Parque Nacional de Anavilhanas. “São 100 famílias ao todo nas duas comunidades. Até o momento, apenas 40 foram beneficiadas. Queremos doar mais 60, por isso fizemos a campanha”, revela.  

De grão em grão...

A campanha crowdfunding (financiamento colaborativo) para doação de kits solares, a que Casoni se referiu, pretende arrecadar pouco mais de R$ 15,8 mil até dia 6 novembro deste ano. “Um kit custa R$ 280. As pessoas falam que gostariam de ajudar, mas muitas não têm esse dinheiro. Na campanha, elas podem doar R$ 10, R$ 25, R$ 50 ou R$ 100. Desta forma, juntaremos o dinheiro arrecado para comprar material para fazer os kits, que serão doados às famílias que ainda faltam ganhar”, conta Casoni.

Ele explica que os próprios ribeirinhos produzem o kit solar que ganham. “Nós os ensinamos a montagem completa dos kits junto com as lâmpadas solares e a sua instalação e depois doamos. Eles ainda têm noções básicas de energia solar, ou seja, não é uma simples doação. Nós também queremos ensiná-los a montar os kits para geração de emprego e renda a estas pessoas a fim de que não precisem vir para a cidade grande”, ressalta.

Ecologicamente correto

O kit de iluminação solar desenvolvido pelo Instituto Dharma é ecologicamente correto, não poluente e sem custos mensais à família. O kit é composto de uma placa solar, um controlador de carga, duas lâmpadas, dois interruptores, fios e bateria. De acordo com o fundador da ONG, Marcello Casoni, o doador terá todas as informações sobre a família beneficiada para acompanhar os resultados.

Sistema de energia solar está sendo implantado em comunidades ribeirinhas (Foto: divulgação)

Curso no Inpa dia 24

No próximo dia 24, o Instituto Dharma realizará o curso Energia Solar: conceitos e aplicações. O evento, que ensinará como montar um simples kit de iluminação solar, será no auditório do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA/MCTI), de 9h às 12h e de 14h às 17h. O investimento é de R$ 150. Para inscrições e informações: (92) 99447-0962 e contato@institutodharma.org.br.

Especialistas em ajudar quem precisa

O Instituto Dharma é uma Organização Não Governamental (ONG) sem fins lucrativos que promove, nas comunidades isoladas amazônicas, ações de educação, saúde e empreendedorismo social. Entre os projetos da entidade destacam-se o Luzes sobre a Amazônia, Alegria sobre Água (que estimula o turismo com responsabilidade social e ambiental), Caboclo Empreendedor (que capacita e fomenta os caboclos ribeirinhos) e Golfinho da Amazônia (que desenvolve atividades de sensibilização e educação ambiental).

(Foto: divulgação)

O instituto foi fundado há dois anos e meio, quando o advogado e biólogo Marcello Casoni Ayurus abandonou São Paulo para vir morar no Amazonas e ajudar os povos ribeirinhos, tradicionais e indígenas da região. A sede do projeto foi implantada no município de Novo Airão. “Eu queria achar um local no Brasil em que eu pudesse ser útil. Pensei no interior do Nordeste, vi vários lugares, mas acabei optando por Novo Airão”, contou.

Conforme ele, a escolha por Novo Airão se deu por diversos motivos, entre os quais a beleza e, ao mesmo tempo, a pobreza do município. “Novo Airão é um local de beleza cênica inigualável. É lindíssimo! Mas é a região que eu vi, com exceção de São Gabriel da Cachoeira, ser a mais carente do Estado. Muito embora seja lindo, é muito pobre também, muito mais pobre que qualquer outro município do entorno de Manaus”, afirmou.

Apesar das dificuldades, Casoni disse que não se arrependeu em nenhum momento de ter vindo morar e ser voluntário no Amazonas. “Nunca aprendi tanto em toda a minha do que nesse tempo em que estou morando na comunidade do Sobrado. Mas não é fácil. Falta apoio de todos os segmentos. Só queremos oferecer, não recebemos por isso, a não ser a felicidade do outro, que para mim é o mais importante”, pontuou.

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