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Amazônia
Inovação e criatividade

O mercado de chocolate da Amazônia: um produto tipo exportação

Doces com matéria-prima regional movimentam empresas locais que miram no mercado externo 20/11/2016 às 05:00
Show bombons finos capa
Casca do cupuaçu transformada em embalagem de chocolates e depois pode até ser porta jóias (Foto Aguilar Abecassis e Winnetou Almeida)
Rebeca Mota Manaus (AM)

No Amazonas, as empresas de chocolate investem nas embalagens, destacam a originalidade, a criatividade e no diferencial do produto. São produtos deste o cupuaçu, a castanha, açaí, camu-camu, araçá-boi, bacuri e buscam inovar de forma artesanal, além de  dedicação e originalidade que se faz um bom negócio.

O proprietário da Bombons Finos, Jorge Alberto Coelho, trabalha com a própria poupa das frutas, a padronização e com a criatividade das embalagens e um dos diferenciais é a utilização total do cupuaçu. 

“Nós utilizávamos parcialmente o cupuaçu na produção de embalagens, mas o percentual de aproveitamento ainda era baixo em torno de 20%. O restante era perdido ou transformado em adubo orgânico”, conta Jorge.

As embalagens além de não prejudicar o meio ambiente, também possibilitam a geração de emprego e renda para os amazônidas, por meio do trabalho dos artesãos de diversos municípios do estado do Amazonas. Atualmente a empresa trabalha com cerca de 200 famílias.

Além do reaproveitamento do cupuaçu, também são utilizados outros frutos da região na confecção das embalagens ecológicas como o ouriço da castanha, fibras do buriti, o tucumã, cipós, entre outros que são utilizados pelos artesãos.

São mais de 200 embalagens e empresa só utiliza madeiras caídas, cipós ou sementes na confecção de suas caixas de madeiras, de fibras, palhas artesanais, cuias, fibras de piaçaba, uma forma de retratar a cultura amazônica e presentear as pessoas.

Segundo o Gerente de Marketing, Jorge Alberto Junior, as plantações e as produções são feitas pela própria empresa, além da opção da pronta entrega. 

“Queríamos tornar conhecidos os frutos regionais poucos famosos como: camu-camu, araçá-boi, cubiu, taperebá. Além dos que já tem uma certa evidência como o açaí, guaraná, cupuaçu e castanha”, enfatiza Junior.

A Bombons Finos já está há 18 anos no mercado e conta com 6 lojas espalhadas pela capital amazonense, 200 distribuidoras, alguns vendedores e um representante em São Paulo.

Saiba mais

Classificado como o terceiro maior produtor de chocolate, o Brasil, consome em média 2,8 quilos de chocolate por ano - sendo 55% desses consumidores da classe C segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates Cacau e Amendoim (Abicab). E os volumes globais de produção de chocolate caíram 1,1% em comparação com 2015. Apesar dessa queda global na produção do doce no Brasil, os dados são outros, segundo a Euromonitor.

Oiram Chocolates

Com 20 anos no mercado amazonense, a Oiram Chocolates, do advogado Mário Oiram Fogaça, com mais de 72 itens desde o chocolate até licor, vinho de cupuaçu, molho de murupi e geleias. Ele investe em um produto que possa atingir todo o Brasil. 

“Nossa empresa é diferente na qualidade, temos prêmios classificando a qualidade do produto. Começamos apenas com o chocolate e sentimos necessidade de expandir para os demais produtos”, conta Mário. 

A empresa recebeu o nome de Oiram que significa o contrário do nome Mario e narrado remete aos sons indígenas. E para as embalagens o proprietário deu um toque especial, como o licor. 

“Nossas garrafas são personalizadas por artistas locais como Alex Marsall que tem o cuidado de retratar pinturas indígenas”, destaca Mário.

A empresa venceu o Prêmio PQA 2005 (Prêmio Qualidade Amazonas) sendo a primeira microempresa a receber esta premiação outorgada pela Federação das Indústrias do Amazonas. Em 2006 Adélia, sua esposa e parceira do empreendimento, recebeu o prêmio Mulher de Negócios do Sebrae em 2007, em 2012 concorreu e venceu os Premio SESI (troféu ouro) na categoria Sustentabilidade e, mais uma vez, o PQA.

O grande salto da empresa ocorreu em 2010, por meio do Pappe Subvenção, que proporcionou a oportunidade à empresa de desenvolver um novo produto, o Vinho de Cupuaçu.  Em 2012, a empresa iniciou pesquisas sobre lanches com insumos amazônicos, destinados à merenda escolar e canteiro de obras

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