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Educação ambiental pode alertar população sobre importância de proteger o sauim-de-coleira

Para mudar a mentalidade da maioria da população, membros do PAN Sauim-de-Coleira querem realizar campanhas permanentes 31/03/2013 às 13:36
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Para tornar o macaquinho mais conhecido há projetos de produzir um filme didático para ser distribuído nas escolas, onde também serão realizadas oficinas
Elaíze Farias Manaus

Com a mobilidade cada vez mais restrita devido ao desmatamento, o sauim-de-coleira tem se sujeitado a vários perigos. Um dos mais comuns é o atropelamento. Ao tentar se deslocar de uma área a outra, o animal confunde a fiação elétrica com alguma outra conexão e morre eletrocutado. Animais domésticos também representam ameaças, bem como baladeira de criança e até mesmo tiros de armas de fogo disparado. Quando não, é caçado e transformado em animal doméstico. Não há sossego para este animal.

“O sauim-de-coleira é uma espécie lindíssima que pode ocorrer no nosso quintal. Para mim, ele é uma dádiva”, diz Diogo Faria, analista ambiental do Ibama e membro do PAN Sauim-de-Coleira.

Por que a população manauense ainda não se habituou a proteger o sauim-de-coleira que vive em seu quintal ou proximidades? Para a bióloga Dayse Campista, a população desconhece a sorte que tem em possuir um animal único. E para mudar essa mentalidade e esse comportamento é preciso fazer campanhas de educação ambiental.

“É preciso que a população saiba quem é o sauim-de-coleira. Fazer as pessoas ter amor por ele e, a partir daí, valorizá-lo”, diz Dayse, que faz parte da linha de ação do PAN destinada à educação ambiental junto com Diogo Faria.

Campanhas

Como coordenadora do zoológico do Tropical Hotel, Dayse constata que o desconhecimento é tão grande que muitos frequentadores, a maioria estudantes, são capazes de citar o mico-leão-dourado, um primata típico da Mata Atlântica (e também ameaçado de extinção), mas esquecem do sauim-de-coleira ou outro animal da Amazônia.

“A gente está no quintal da maior biodiversidade do mundo, mas as pessoas que vêm aqui no zoológico citam apenas animais que são de fora. Elas falam de leão, de elefante e de girafa, mas não falam da onça ou do peixe-boi. Por isso é preciso fazer uma campanha, mas que esta não seja pontual. É preciso fazer palestras, grupos de teatro, apresentação de vídeos, instalação de outdoors. A gente tem que valorizar o que é nosso”, comentou.

Recursos financeiros

Não basta estar bem intencionado. É preciso apoio financeiro. Esta é a batalha de Dayse Campista e Diogo Faria. Uma das fontes pode vir de compensações ambientais. Uma delas está sendo articulada entre o Ministério Público Federal (MPF) e a Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinfra). Desde o início deste ano, o MPF tenta incluir em um acordo para compensar os impactos causados pelas obras da Avenida das Torres na área do Corredor do Mindu um item que propõe a destinação de recursos para educação ambiental.

“No papel a gente tem vários projetos e ideias. Mas cadê o dinheiro? A gente precisa de recurso para educação ambiental. Por isso tenta convencer as empresas. E há outras possibilidades com parceiros comerciais, quem sabe dispostos a agregar seus nomes aos projetos”, explica Diogo.

Entre os projetos está a produção de um filme didático para ser distribuído nas escolas. Outra ideia é fazer oficinas em escolas junto a professores e alunos, para que as crianças, principal alvo das campanhas, conheçam o macaquinho.

“A gente quer fazer uma cooperação com as secretarias municipais de Manaus, de Rio Preto da Eva e Itacoatiara. Realizar cursos com professores para que este tema seja debatido nas escolas. Falar da importância da espécie é fundamental porque não temos como estar lá o tempo todo nas escolas, por isso o encontro com os professores”, diz Diogo Faria.

No próximo mês será iniciada em Manaus uma oficina com a participação de várias instituições que já trabalham com educação ambiental para a espécie. A proposta é obter experiências destas instituições para a elaboração de projetos.

“A nossa grande preocupação é para que as ações não sejam pontuais, que em dois meses acabem. Nossa ideia é que seja uma atividade a longo prazo. Que se perpetue independente da gente”, diz Diogo Faria, que lamenta, entristecido, o desconhecimento da maioria das pessoas para a situação extremamente crítica do sauim-de-coleira.

Voluntários

Houve uma curta época, há mais de quatro anos, que Manaus viveu uma intensa campanha de proteção do sauim-de-coleira. A atividade se chamava Voluntários do Sauim e incentivava a população a participar de campanhas. A coordenação era de Rosana Subirá, contratada pela prefeitura na gestão de Serafim Corrêa, que hoje atua na Coordenação de Avaliação do Estado da Conservação da Biodiversidade do ICMBio, em Brasília.

“A gente fez encontros e workshops para que as pessoas conhecessem o animal. Tinha o Voluntários do Sauim, no qual as pessoas davam notícias sobre a situação dos bichos. Outro trabalho era o programa voltado à educação ambiental na escola. A gente levava material didático, monitores e capacitações para a sala de aula”, lembra Rosana.

A iniciativa durou até o fim da gestão de Serafim Corrêa e não teve continuidade da administração de Amazonino Mendes. “A gente trabalhou durante quatro anos e poderia continuar. Deveria ser um projeto a longo prazo”, comenta Rosana Subirá.

Três Perguntas para Leandro Jerusalinsky, coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros do ICMBIo

1. Que avaliação o senhor faz do PAN Sauim-de-Coleira?

Muita positiva. Uma das principais coisas que a gente conseguiu, que às vezes é difícil conseguir em outros planos, é que todos os colaboradores se comprometeram com as ações.

2. Quais são os maiores obstáculos?

Temos basicamente dois: recurso financeiro e outro de pessoal. A quantidade de pessoas é pequena. E as duas coisas (financeiro e pessoal) estão relacionadas.

3. O senhor acha que é possível viabilizar o PAN?

A gente não coloca nada no plano que seja impossível. Não é um conjunto de desejos. Agora, se é fácil ou não são outros quinhentos. Por isso estão sendo feitas articulações, projetos para captação de recursos financeiros.

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