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'Efeito cheia': Oferta cai e preços sobem todo o Amazonas, principalmente na capital

Os consumidores manauaras devem ficar atentos. Com a cheia, produtos agrícolas chegam às feiras com aumento de até 100% 09/06/2015 às 14:08
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Frutas como mamão, maracujá e banana estão entre os produtos com preços diretamente afetados pela forte cheia que atinge os municípios produtores
Juliana Geraldo Manaus (AM)

O manauara já começa a sentir o efeito prático do regime de cheia dos rios. O avanço das águas que já afetou a produção rural do Estado causa impacto sobre a oferta de produtos ao consumidor e aumento significativo nos preços. Hortaliças e culturas frutíferas como banana, mamão e maracujá são as mais afetadas e sofreram reajustes de até 100% na capital amazonense. As informações são da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea).

De acordo com o presidente da federação, Muni Lourenço, as culturas de várzea, principalmente em  municípios mais próximos a Manaus, como Iranduba e Manacapuru, estão completamente afetadas.

“Faltando menos de um mês para o ápice da cheia - aguardado para o final de junho - produções de diversas culturas foram perdidas fazendo cair a oferta dos produtos em Manaus e, consequentemente, jogando os preços para cima”, explicou Muni Lourenço.

Entre os itens mais impactados, Lourenço destacou as hortaliças em geral - como cebolinha e coentro -, quiabo, couve e frutas como maracujá, banana e   mamão. Segundo ele a mandioca  e a farinha também  enfrentam redução na oferta.

Preços

Segundo o dirigente, ainda não há risco de falta desses produtos nas feiras e mercados de Manaus, mas a diferença já impacta o bolso do consumidor.

“Um maço de couve que custava R$ 1 já chega ao consumidor por até R$ 2, um aumento de 100% em relação ao período que antecedeu a cheia. Já o maço de cebolinha, que antes era encontrado por R$ 3 passou para R$ 5, em alguns lugares, uma diferença de quase 70% no preço”, exemplificou.

Ainda conforme o presidente, o aumento causou um efeito em cadeia. Frutas como mamão e maracujá deixaram de ser ofertadas localmente e precisam ser trazidas de outros Estados, encarecendo o valor final devido a gastos de logística e custos de frete.

“Até mesmo itens que tradicionalmente não são produzidos aqui como cebola e tomate estão bem mais caros em função desses custos. O quilo da cebola, por exemplo, passou de R$ 4 para R$ 7, em média.

Manacapuru e Iranduba afetados

Os municípios de Manacapuru e Iranduba estão entre as localidades próximas a Manaus mais  afetadas pela cheia. De acordo com dados do Instituto de Desenvolvimento Rural e Florestal  Sustentável do Amazonas (Idam), até maio, Iranduba já  havia registrado perdas na agricultura que soma R$ 16,59 milhões. Em Manacapuru, os prejuízos já ultrapassam a marca de R$ 1 milhão.

Juntas, as duas localidades totalizaram 844 famílias atingidas e as culturas mais prejudicadas foram de mandioca, couve e hortaliças. Para o presidente do Sindicato Rural de Manacapuru, Mário Jorge Bastos, explica que a produção atende apenas o município. “Porém, não mais excedente de nenhuma cultura de várzea para ser comercializado em Manaus nos próximos meses”, alertou.

Preços

A  cheia deve seguir afetando a oferta e os preços dos  itens agrícolas pelos próximos meses. Segundo produtores rurais, culturas de ciclo curto como as hortaliças devem voltar ao normal até setembro, mas outros itens serão impactados a médio prazo.


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