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Em 100 km de rio, cerca de 25 mil toneladas de peixes mortos são registradas em Manaquiri (AM)

Morte de peixes voltou a ocorrer no município. A baixa oxigenação das águas é apontada como uma possível causa da mortandade 23/11/2015 às 20:57
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Ribeirinho lamenta a morte de peixes ocorrido ao longo do Paraná do Manaquiri até a comunidade do Araçatuba
Jornal A Crítica ---

Após seis anos, quando ocorreu uma das maiores mortandade de peixes no município de Manaquiri, a 65 quilômetros de Manaus, a cena voltou a se repetir na região. Desta vez, segundo a agência de notícias Amazônia Real, foram encontrados 25 mil toneladas de peixes mortos, numa faixa de 100 km, entre a  boca do Paraná do Manaquiri, que é um afluente do rio Solimões, até a comunidade de Araçatuba.

A cena causou impacto visual até mesmo para quem já está acostumado com os fenômenos climáticos da região. De acordo com pescadores artesanais do município, ligados ao Sindicato dos Pescadores (SindPesca), Colônia Z-51, os peixes mortos emergiram subitamente e ficaram boiando  à margem do rio. 

Uma das prováveis causas para a mortandade dos peixes é  falta de oxigenação das águas, que estão mais quentes e com nível baixo devido à vazante dos rios da bacia amazônica. Segundo o setor de biologia aquática do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), neste período do ano a água dos rios na Amazônia chega a 36ºC, em razão da maior incidência do sol quando o rio está parado. Sendo que  a temperatura comum na região é entre 28ºC e 30ºC.

À época, quando foi feito o primeiro registro do lastro de peixes mortos em Manaquiri, biólogo  Hélio dos Anjos,  explicou que a mortandade de peixes durante a seca não é incomum. Incomum, segundo ele, é ocorrer no período que, tradicionalmente, é o início da vazante. “Em todo processo de cheia e seca existe mortandade de peixes. Esta situação ocorre de tempos em tempos, mas é raro. Ela aconteceu atualmente porque estamos vivendo um período atípico. Uma seca que não está no padrão normal”, disse o biólogo e engenheiro de pesca.

Prejuízos

Durante o percurso da viagem pelo Paraná do Manaquiri, os pescadores encontraram muitos peixes mortos, entre eles, das espécies tambaqui, piramutaba, pirarucu, pescada, tucunaré e bodó. Conforme a Amazônia Real,  a mortandade de peixes na região  atinge  889 pescadores de  27 comunidades.

O  SindPesca informou que a mortandade de peixes no Paraná do Manaquiri, também   ocorreu durante as vazantes dos anos de 2005, 2010 e 2012, sendo que em  extensões menores, que variavam de 16 km a 60 km do afluente do rio Solimões, bem distinto dos registros de 2009 e da última semana, com 100 km de extensão.

Operação Vazante

Manaquiri foi uma das 42 cidades do Amazonas que decretaram situação de emergência pela enchente em 2015. A redução do nível da água no município teve início em meados de julho, como se iniciou o período de seca. A Defesa Civil realizada a operação ‘Operação Vazante’ para auxiliar cidades que enfrentam problemas durante a estiagem.

Situação também foi registrada em 2009

Neste mesmo período, em 2009, uma faixa de 80 quilômetros  de peixes mortos  surgiu em um afluente do rio Solimões, na cidade de  Manaquiri. A ausência de chuvas na região e o consequente baixo nível dos rios são apontados por especialistas, como as principais causas da mortalidade.

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