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Em tempos de recordes de calor, arborização urbana faz falta nas vias de Manaus

Com o El Niño influenciando o clima na capital amazonense, é perceptível que nas avenidas arborizadas da cidade o calor é menos intenso 24/09/2015 às 11:26
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Conclusão dos especialistas é simples: com mais árvores estaríamos sofrendo menos com o calor
silane souza Manaus (AM)

Nos últimos dias, a temperatura em Manaus tem registrado marcas recordes e um dos motivos é o fato do clima na Amazônia  estar sob o efeito do fenômeno climático conhecido como El Ninõ. Mas, apesar de o calor ser sentido na maior parte do ano na capital amazonense, ele é mais intenso em lugares que só tem espaço asfaltado, ou seja, sem arborização. A CRÍTICA visitou algumas avenidas da cidade e constatou a mudança no clima.

Ontem, por exemplo, às 11h, as três estações meteorológicas instaladas em Manaus, apresentavam temperaturas diferentes, de acordo com o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam). A estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), na Zona Centro-Sul, registrava 34,9°C, a unidade do aeroporto de Ponta Pelada, Zona Sul, 34°C, e a do aeroporto Internacional Eduardo Gomes, Zona Oeste, 36°C.

De acordo com o coordenador do curso de Meteorologia, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), José Augusto Veiga, quando se trata de efeito climático, como o El Niño, não tem como mudar a temperatura. Mas tem como amenizá-la. “Nesse caso, os governantes e nós podemos atuar para minimizar o efeito do calor arborizando a cidade. Têm que ter mais árvores, elas evitam que a radiação solar chegue à superfície e aumente a temperatura”, relatou.

Quanto à instalação de chafariz, Veiga revela que só ameniza a temperatura local. Logo, não tem como encher, por exemplo, o Centro da cidade de fontes e esperar que o calor diminua em toda a cidade. “A melhor saída é a arborização mesmo. Tem estudos que comprovam que a troca de ambiente natural por asfalto e prédio acumula mais energia solar, provocando o aumento da temperatura. Já áreas com árvore são mais frias porque elas absorvem a temperatura”, afirmou.

Diferença pode ser sentida na prática: temperatura na Avenida Getúlio é muito mais amena que a da Constantino Nery no pico do Sol (Fotos: Euzivaldo Queiroz)

Na avaliação da encarregada de serviços gerais, Nazaré Barbosa de Morais, 35, apesar das árvores na avenida Djalma Batista, ainda estarem pequenas, dá para perceber a diferença na temperatura se comparar com outras vias onde praticamente não existem árvores plantadas. “Aqui tem um pouco de sombra, na avenida Constantino Nery, por exemplo, não tem. Com certeza, na Djalma Batista é menos quente que lá”, apontou.

O fato foi confirmado pelo conferente de saída, Jovanildo Castro da Silva, 41. Ele afirmou que ninguém aguenta andar por muito tempo na avenida Constantino Nery sob o sol forte. Isso porque a via não tem nenhuma árvore que possa absorver o forte calor. “Sem dúvida, nos lugares onde não tem árvores plantadas faz mais calor”, afirmou. Ele destacou que a alta temperatura é natural da região, mas as árvores têm a capacidade de amenizar o forte calor.

A agente comunitária de saúde, Amazonina Dias Mota, 50, observou que, se todas as ruas de Manaus fossem iguais a avenida Getulio Vargas, no Centro, muitas pessoas deixariam de andar de ônibus e passariam a ir a pé. “Aqui é bem gostoso de caminhar. Além da sombra, bate um vento gostoso. Se tivesse mais avenidas assim eu mesma seria uma que dificilmente andaria de ônibus, porque dentro dos coletivos é muito quente”, apontou.

Semmas aposta em programa

A diretora de Arborização e Paisagismo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Rosemary Bianco, relata que a Prefeitura de Manaus tem feito diversas ações de arborização. Ela cita como exemplo o programa “Manaus Verde e Viva”, que desenvolve ações voltadas à arborização de ruas e avenidas, além de canteiros e passeios públicos. Um dos símbolos consolidado do projeto é a avenida Djalma Batista. Também são feitos produção de mudas, doação, educação ambiental, conscientização para fomentar o plantio nos quintais. “A maioria dos bairros oriundos de ocupação irregular, não tem área verde. Estão buscamos estimulamos as pessoas a plantarem árvores”, destacou.

Conforme ela, nesses quase três anos, 822 instituições solicitaram da Semmas mudas para plantio e doação. No total, foram doadas 217 mil mudas e plantadas 94.336 nesse período, entre árvores e mudas ornamentais. “As Zonas Centro-Sul, Leste, Centro-Oeste foram as que mais receberam plantio de mudas em canteiros centrais e logradouros públicos”, afirmou. Rosemary Bianco ressaltou que desde a última segunda-feira, a Semmas realiza no Parque do Mindu, Zona Centro-Sul, o I Seminário de Arborização Urbana de Manaus. Nesta quinta-feira, acontece uma atividade prática de planejamento com os participantes em um determinado ponto da cidade.

Santa Etelvina

Nessa sexta-feira, haverá uma ação de plantio e distribuição de mudas na rotatória situada na avenida Curaçao com rua 7 de Maio, no bairro Santa Etelvina. Serão plantadas 140 mudas florestais, todas com mais de 1,80m na rotatória e haverá distribuição de 500 mudas frutíferas e ornamentais para a população local.

Acadêmica  mostra o tamanho do problema

O crescimento da área urbana de Manaus, sem arborização, pode aumentar a temperatura da superfície em uma média de 3°C e a temperatura do ar em aproximadamente 0,4°C. Essa foi a conclusão da pesquisa empreendida pela universitária  Denise Hall.

Em números

- 217 mil mudas de árvores e plantas ornamentais foram doadas pela prefeitura a 822 instituições que as solicitaram da Semmas;

- 94.336 mudas  foram plantadas diretamente pela Prefeitura de Manaus durante a atual gestão do prefeito Arthur Neto em três anos;

- 94% dos entrevistados  afirmaram que os motoristas de Manaus “Não” respeitam as leis de trânsito. A pesquisa foi feita entre os dias 17 e 21 de agosto pelo Trânsito Manaus com 688 pessoas que vivenciam o trânsito na cidade de Manaus.

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