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Amazônia
PROJETO ATTO

Embaixador da Alemanha reafirma interesse do governo alemão com o projeto Atto

Georg Wistchel esteve nesta sexta-feira (10), no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), e neste sábado (11), visitará a Torre Atto, a maior torre de estudos climáticos do mundo 11/03/2017 às 05:00
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Durante o encontro desta sexta-feira, a comitiva do embaixador recebeu informações do Inpa e do projeto Atto (Foto: Divulgação/Ascom Inpa)
Silane Souza Manaus (AM)

Em visita ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), ontem, o embaixador da República Federal da Alemanha no Brasil, Georg Wistchel, reafirmou o interesse do governo alemão em medir o transporte de gases de efeito estufa e outros poluentes, bem como a interação desses gases com a floresta amazônica por meio das pesquisas desenvolvidas em conjunto pelos dois países no Observatório de Torre Alta da Amazônia (Atto, na sigla em inglês), a maior torre de estudos climáticos do mundo.

Conforme ele, o objetivo é fazer essas medições não somente de custa distância, mas também de longa. “E no centro da selva se pode fazer isso de uma maneira que não é possível em outro lugar”, destacou Wistchel ressaltando a importância de saber o que se passa na floresta com esses gases e poluentes. “É um interesse comum com o governo brasileiro porque lutamos contra a mudança do clima, a poluição nacional e internacional, por isso queremos estabelecer um observatório único na floresta”.

Hoje, ele deve visitar a Torre Atto pela primeira vez e disse estar curioso pelo momento. Wistchel destacou, ainda, que não é só este projeto que o governo alemão tem com o Amazonas e a República Federativa do Brasil. “A Alemanha já investiu mais de € 100 mil, em torno de R$ 335 milhões, em projetos ambientais como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), dentre outros, para ajudar os municípios a reduzir o desmatamento e restabelecer uma economia mais sustentável”, afirmou.

A Torre Atto tem 325 metros de altura e está localizada no meio da maior floresta tropical contínua do planeta, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã (a 150 quilômetros em linha reta de Manaus). Inaugurada em agosto de 2015, a torre é um consórcio entre o governo brasileiro e alemão, executado pelo Inpa, Instituto Max Planck de Químuica e de Biogeoquímica e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A previsão é que a segunda fase do projeto comece em abril deste ano.

De acordo com o gerente operacional pelo lado alemão, Stefan Wolff, a partir de hoje, um grupo com sete pessoas vai a Torre Atto para instalar novos instrumentos que servirão para monitorar os dados sobre a interação do clima da floresta amazônica e a atmosfera e deixar a estrutura pronta para ser usada cientificamente como vem ocorrendo com as torres menores. “Na torre principal começamos a realizar medidas de gás carbono, metano, vapor de água, velocidade de vento e temperatura”, afirmou.

Apresentação da 2ª parte do projeto

Em maio deste ano está programado um encontro científico da Torre Atto com pesquisadores do Brasil e da Alemanha, no Inpa. São esperados cerca de cem estudiosos e colaboradores. O evento será aberto ao público e na oportunidade será apresentada a fase 2 da Torre Atto, quando os coordenadores tentarão atrair mais parceiros brasileiros para o projeto. 

A importância da Torre Atto

Nos últimos seis anos, entre 70 e 75 pessoas desenvolveram algum tipo de pesquisa no Observatório de Torre Alta da Amazônia (Atto, na sigla em inglês), de acordo com o gerente operacional pelo lado alemão, Stefan Wolff. O pesquisador afirmou que os trabalhos estão publicados nos mais diversos meios e ao alcance de todos. “Esses estudos são importantes para a ciência, para o entendimento do sistema amazônico e para a educação da nova geração de pesquisadores”, salientou.  

Conforme Wolff, entender como funciona a interação do clima da floresta amazônica e a atmosfera não é possível com uma torre de 40 metros. “Para isso é preciso subir mais alto e assim temos uma grande chance de responder perguntas que estão há várias décadas sem respostas. Também é uma boa chance para jovens estudantes brasileiros e alemães entrar no projeto para fazer pesquisa, crescer e entender melhor essas questões. Todos serão bem-vindos”, apontou.

Stefan Wolff destacou que apesar de seis anos de estudos, o projeto está apenas no começo e é importante que ele continue sendo executado por várias décadas. “Só depois de 20, 30 anos a gente pode fazer uma boa estatística relacionada à mudança de temperatura e de padrões de precipitação (chuva). Nestes primeiros anos estamos focando para compreender melhor os processos e com mais dados poderemos fazer isso e entender esses padrões gerais e as mudanças causadas por efeito humano”.

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