Sábado, 14 de Dezembro de 2019
Amazônia

Empresa de reciclagem derruba árvores e moradores denunciam degradação de área verde

Os moradores do bairro do Puraquequara e Colônia Antônio Aleixo, na Comunidade Bela Vista, estão assustados com os efeitos que o desmatamento pode trazer para o meio ambiente



1.jpg Área desmatada alcança às margens do lago do Aleixo, o que levantou a suspeita dos moradores de que houve invasão na Área de Preservação Permanente
13/06/2012 às 08:02

Uma área verde de 11,4 milhões de metros quadrados localizada às margens do lago do Aleixo e igarapé Castanheira, na Zona Leste, está sendo totalmente desmatada pela empresa Concrecicle Comércio de Materiais Reciclados para construção.

Os moradores do bairro do Puraquequara e Colônia Antônio Aleixo, na Comunidade Bela Vista, estão assustados com os efeitos que o desmatamento pode trazer para o meio ambiente. 



De acordo com o fotógrafo Walter Calheiros, a área pertencia ao empresário João Farias que a vendeu para a empresa de reciclagem. Durante o feriadão de Corpus Christis, a empresa começou a desmatar a área. “Eles disseram que nem em dia comum a polícia ambiental apareceria ali, quanto mais no feriadão. Eles querem pagar R$ 5 mil às famílias que moram lá para sairem”, disse.

Walter disse que mesmo com os avisos de que o desmatamento está atingindo  a APA, a empresa não recuou e  continua acelerando os trabalhos. “Conhecemos aquela área como uma APA regulamentada por lei então  não pode ser desmatada”,disse Walter Calheiros.

Na tarde desta terça (12), A CRÍTICA esteve no local e verificou que a área está totalmente destruída e desmatada. Uma escavadeira estava sendo utilizada para realizar a terraplanagem do solo, que está em avançado processo de desmatamento.  A devastação da floresta, naquela área, está chegando às margens do lago do Aleixo, ação que pode provocar, entre outras coisas o assoreamento do lago, prejudicar o pescado, além de expulsar espécies animais.

O pescador Aldemir Rodrigues Serrão está preocupado com a situação. “O que nós tememos é que eles desmatem essa área toda  e  joguem o barro no lago, matando os peixes. Essa área é ambientalmente importante. Era um  verde muito bonito, mas agora está tudo destruído”, lamentou.

Aldemir disse que  os comunitários obtiveram a informação de que a área é protegida. “Eles disseram que ninguém que está aqui tem direito  de desmatar essa área, de fazer costrução, nada nessa área. E, agora vem essa empresa e acaba com tudo num instante. Nossa presidente acabou de assinar uma lei e no mesmo dia eles começaram a desmatar aqui”, disse, Aldemir.

O pescador, que vê a destruição bem em frente a sua casa-barco, disse que as autoridades deveriam tomar providências.  “É uma aberração que essa área toda seja acabada. O cara chega, mete a máquina, não quer saber se vai prejudicar ninguém. Estamos pedindo socorro das autoridades para que não deixe que essa mata seja acabada”, disse o pescador.

A reportagem tentou contato com a empresa Concrecicle Comércio de Materiais Reciclados para construção por meio do telefone 3615-38XX, mas não obteve resposta.

Segunda denúncia de agressão
Em fevereiro deste ano, o lago do Puraquequara e  o igarapé do Castanheira – exatamente na mesma região da área verde desmatada agora – foram alvo de discussões,  quando foi atestado  um processo de contaminação das águas por coliformes  fecais, substâncias de materiais industriais e material em decomposição.

 A fonte de toda poluição é o esgoto da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), que deságua diretamente no lago. 

A  Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmas) informa que expediu uma Licença Municipal de Instalação (LMI) em nome da Concrecicle Comércio de Materiais Reciclados , mas não autorizou a intervenção em Área de Preservação Permanente (APP). Adverte que se houve destruição desta área e contribuição para o assoreamento do lago, provavelmente a empresa licenciada não obteve o controle efetivo do recurso ambiental. Segundo a Semmas, é obrigação do licenciado realizar o controle da atividade. Em breve uma  equipe de técnicos emitirá um laudo  das constatações.

Sobre o esgoto  da UPP, a Semmas  informa que  quem deve prestar esclarecimentos  é o órgão estadual responsável pela construção e pelo licenciamento ambiental da Penitenciaria do Puraquequara e que a UPP não foi licenciada pelo órgão do município.

 

 


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