Domingo, 17 de Novembro de 2019
Amazônia

Enchente: Defesa Civil decreta situação de emergência em Humaitá, Sul do Amazonas

Município é o 11º do Amazonas a ser declarado pela Defesa Civil em estado crítico devido a subida dos rios deste ano



1.gif Em março do ano passado o rio Madeira subiu tanto, na região de Humaitá, que a enchente foi considerada a maior do município em todos os tempos
10/03/2015 às 09:23

O Município de Humaitá (a 600 quilômetros de Manaus), no Sul do Amazonas, foi decretado, ontem pela Defesa Civil do Amazonas em situação de emergência em virtude da enchente do Rio Madeira. Até então a situação era de alerta, embora o prefeito José Cidenei Lobo houvesse declarado estado de calamidade pública.

A situação mais grave é na área rural do município, onde os moradores perderam toda a produção agrícola e lutam, desesperadamente para salvar seus animais, principalmente bovinos e suínos. Na cidade, mais da metade dos bairros está submersos, inclusive a estrada BR-319.



Agora, sobe para 11 o número de municípios amazonenses assolados por mais uma grande cheia: Itamarati, Guajará, Ipixuna, Eirunepé e Envira na calha do Juruá, além de Canutama, Boca do Acre, Tapauá, Carauari e Pauiní, no Purus.

Destes, seis tiveram a situação reconhecida pelo Governo do Estado (Itamarati, Guajará, Ipixuna, Eirunepé, Envira e Carauai). Os municípios de Canutama, Boca do Acre, Tapauá e Pauiní, aguardam homologação. As cidades que continuam em estado de alerta são: Tabatinga, São Gabriel da Cachoeira, São Paulo de Olivença, Santo Antônio do Iça, Tonantins e Benjamin Constant (Alto Solimões).

Do amistoso

Na manhã de ontem, o Governador José Melo repassou à Defesa Civil 19 toneladas de alimento, que foi arrecadado no jogo amistoso entre Amigos do José Aldo e Amigos do Delmo, jogo disputado no dia 28 de fevereiro na Arena da Amazônia. O ingresso para assistir ao jogo equivalia 1 quilo de alimento. Todo o material, a maioria arroz, feijão, leite e farinha, será doado aos moradores dos municípios afetados pela enchente no Amazonas.

Ao todo, foram arrecadadas, incluindo o aporte do Governo do Estado, 132 toneladas de alimento para socorrer as comunidades alagadas. Quase que diariamente são feitas remessas de alimentos não perecíveis, via fluvial e aérea, com destino aos municípios afetados.

Na última quinta-feira, Melo visitou a cidade de Eirunepé, ao lado do Ministro da Integração, Gilberto Occhi, para acompanhar a situação nas regiões mais alagadas. No município (a 1.160 quilômetros de Manaus), a estimativa é que mais de duas mil famílias estejam sendo impactadas pela subida dos rios. Na ocasião, Melo e Occhi firmaram parceria para acelerar o atendimento aos municípios.

De acordo com o secretário da Defesa Civil do Amazonas, coronel Roberto Rocha, a ajuda humanitária chegou a mais de 13 mil famílias que estão em áreas alagadas.

Ainda não preocupa Manaus

Para o engenheiro do Serviço de Hidrologia do Porto de Manaus, Walderino Pereira, o alto nível da enchente nas calhas dos rios Purus e Madeira ainda não pode ser considerado preocupante em relação a Manaus. “A água que está inundando as calhas do Purus e do Madeira ainda não chegou com força. Somente no final de março é que a gente começa a sentir esse efeito. Por enquanto, está tudo dentro do previsto”, analisa o engenheiro.

Ontem o Rio Negro subiu cinco centímetros, estabelecendo a cota de 25,35m. Nos primeiros 131 dias de 2015 a régua que controla a subida do Negro registrou 5,45m. No mesmo período do ano passado, havia enchido sete centímetros e a cota era de 25,15m, ou seja, o rio hoje está 20cm acima da cota do ano passado. No dia 9 de março de 2012, ano da maior enchente de todos os tempos, o rio subiu os mesmos sete centímetros de ontem, mas a cota era de 26,68, isto é, ontem estava 1,33m mais baixo que no mesmo dia de 2012.

 


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.