Segunda-feira, 22 de Abril de 2019
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ALERTA

Boto-vermelho corre risco elevado de entrar em extinção na Amazônia

Espécie foi colocada em lista de risco da União Internacional para a Conservação da Natureza após diagnóstico de pesquisa feita no Inpa. Ele é o maior golfinho de água doce


13/12/2018 às 12:46

O boto-vermelho (Inia geoffrensis), encontrado em rios da Amazônia, foi classificado como “em perigo” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) em sua última “Lista Vermelha”, publicada em novembro deste ano. Isso significa que a espécie apresenta um risco elevado de entrar em extinção em seu hábitat. 

A avaliação levou em conta um estudo conduzido pela pesquisadora Vera da Silva, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Anteriormente, o animal estava na classificação “dados insuficientes”, que não possui informações suficientes para avaliar o nível de conservação da espécie. 

Vera da Silva explica que os estudos que o Projeto Boto do Inpa vem desenvolvendo há 25 anos na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá e seu entorno mostraram que a população desses animais, naquela região, vem diminuindo drasticamente a cada década e, embora a Amazônia seja grande, que tenha muitos botos-vermelhos, a velocidade com que essa espécie está sendo retirada pode fazer com ela enfrente a extinção. “Se você tem uma reserva modelo no Brasil, na Amazônia, onde no seu entorno está acontecendo isso, imagina nas áreas não protegidas da região?”, questionou. 

A pesquisadora afirmou que as ameaças que existem sobre essa espécie são inúmeras, porém tem uma agravante a mais, detectada desde 2000, que é a matança de boto para uso de isca na pesca da piracatinga (Calophysus macropterus).

“Nós sabemos que a pesca da piracatinga se espalhou pelo Amazonas. Sabemos que o boto é usado como isca em outros locais”, disse. “Além da ameaça da captura direta, tem ainda a captura acidental, as represas que fragmentam as populações e a poluição dos rios por mercúrio, contaminantes em peixes e na água. Então tudo isso levou essa espécie a passar de ‘dados insuficientes’ para ‘ameaçada’. Os nossos trabalhos mostraram que está existindo uma retirada da população maior do que a espécie consegue repor”, completou. 

Silva salienta que essas ameaças também são enfrentadas pelo boto tucuxi (Sotalia fluviatilis), cujo processo de classificação de conservação da espécie segue em avaliação pela IUCN. Atualmente ela é classificada com “dados insuficientes”. “Esperamos que até março de 2019 do ano que vem já esteja definido, e provavelmente a espécie também vá para um critério de ameaça porque ela é capturada com bastante intensidade acidentalmente em redes de pesca. Sabemos que a demanda por peixe aumentou muito, pois a população no Amazonas cresceu, e a exportação de peixes amazônicos também cresceu. Isso significa que tem mais gente pescando, mais redes na água e mais ameaça de captura acidental desses animais”, apontou.

Pesquisadora discorda da classificação

A pesquisadora Miriam Marmontel, do Instituto Mamirauá, não concorda com a nova classificação de risco do boto-vermelho. Ela diz que o estudo, que baseou a avaliação, foi feito numa área extremamente pequena da RDS Mamirauá, portanto, não representa a totalidade da Amazônia. “Está levando o animal de um extremo a outro na categoria de uma forma bastante leviana”, apontou.

Marmontel defende que o animal esteja na categoria “vulnerável”, em vez de na de “risco”, em função das ameaças que a espécie enfrenta. “Nós temos trabalhos e não percebemos essa diminuição de botos. Também não acreditamos que a piracatinga fez isso, pois mesmo no auge da pesca o uso do boto como isca não era 30%. O jacaré era o mais usado. O grande problema enfrentado pelos botos é a mortalidade por emalhe acidental em redes de pesca. Tem também as hidrelétricas, que isolam as populações, mas, neste momento, não há nada que justifique que a espécie seja ameaçada”, afirmou.  

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