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'Encontro das águas' pode ser visto na área urbana de Manaus

Fenômeno semelhante ao do cartão postal de Manaus se repete na Zona Oeste, mas lá o motivo é a poluição despejada nos igarapés 19/08/2013 às 07:34
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A mistura de cores fica mais evidente na confluência dos igarapés do Bombeamento e do Franco, quando as águas marrons do Bombeamento, reflexo dos dejetos lançados no curso d’água, se sobrepõem à esverdeada coloração do Franco
Florêncio Mesquita Manaus

O encontro das águas atrai turistas de vários países para Manaus no fenômeno que acontece na confluência dos rios Negro e Solimões. É preciso fretar uma embarcação para ver de perto as águas dos dois rios correndo lado a lado sem se misturar. No entanto, poucas pessoas sabem que “espetáculo” semelhante acontece na área urbana, no encontro de dois igarapés.

O encontro das águas urbano ocorre em frente à sede da Prefeitura de Manaus, quando as águas marrons do igarapé do Bombeamento se encontram com as esverdeadas do igarapé do Franco.

Ao contrário do famoso encontro dos rios Solimões e Negro, a confluência das águas dos igarapés não é natural. Ela é causada pelo despejo de impurezas retiradas da água tratada no Complexo de Produção da Ponta do Ismael, na Zona Oeste. O encontro desperta poucos olhares da população que passa pelo bairro Compensa, uma vez que é ofuscado pela degradação dos igarapés e escondido por lixo, mau cheiro e esgoto. A cena é no mínimo curiosa e, para os mais atenciosos, a diferença na cor das águas é intrigante.

O igarapé do Bombeamento segue com água de cor marrom das imediações da rua H, na Compensa 2, até o igarapé do Franco, com água esverdeada do lodo que se acumula no leito e na margem do igarapé. Os moradores da área se acostumaram à coloração marrom.

A doméstica Raimunda Oliveira, 39, mora há seis anos na rua H e diz que a água fica marrom por conta do tratamento que recebe no Complexo de Produção da Ponta do Ismael, da concessionária Manaus Ambiental. “Eles coletam a água negra no rio, tiram as impurezas dela para mandá-la para a casa da população e despejam os resíduos que sobram no igarapé do Bombeamento. Depois elas retornam para o rio Negro e recomeça o ciclo”, relatou.

O igarapé do Franco segue desde as imediações da sede do Governo do Estado com coloração esverdeada até se encontrar com o igarapé do Bombeamento. A semelhança com o encontro das águas, que pode ser visto do bairro Colônia Antonio Aleixo, na Zona Leste, acaba na confluência dos igarapés. O rio Negro não se mistura com o Solimões ao longo de mais de 6 km. Já os igarapés do Franco e Bombeamento se fundem. A coloração marrom se sobrepõe à esverdeada e deixa o igarapé do Franco negro.

A água escura segue pelo igarapé do Franco e percorre um longo caminho até chegar ao rio Negro, pela região do bairro Presidente Vargas e igarapé do São Raimundo.

Prática da empresa foi alvo de TAC
O despejo, no igarapé do Bombeamento, de efluentes resultante do tratamento da água para consumo da população nas Estações (ETA 1 e 2) do Complexo da Ponta do Ismael, feito pela Manaus Ambiental, foi objeto de um Termo de Ajustamento de Conduta Ambiental junto ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

No documento, a concessionária apresentou ao instituto um estudo hidrológico e hidrodinâmico para a implantação de alternativas de destinação final do referido efluente. Porém, o estudo ainda está sob análise da equipe técnica do Ipaam.

A Manaus Ambiental informou que realiza o controle e monitoramento do processo de tratamento, inclusive, do descarte das águas de limpeza dos tanques, obedecendo aos parâmetros legais. Para a concessionária, o procedimento não gera impacto ao rio Negro.

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