Sábado, 20 de Julho de 2019
Amazônia

Encontro discute métodos de emissão e redução de gases do efeito estufa em áreas alagadas

Na 4ª Reunião de Autores do Suplemento ao Manual 2006 para Inventários Nacionais de Gases do Efeito Estufa do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), que irá de 20 a 24 de maio, 80 cientistas de diversos países irão discutir acerca do aperfeiçoamento dos métodos voltados para a medição de emissão e redução de carbono em áreas alagadas de todo o mundo



1.jpg 4ª Reunião de Autores do Suplemento ao Manual 2006 para Inventários Nacionais de Gases do Efeito Estufa do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) irá de 20 a 24 de maio
21/05/2013 às 09:01

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) recebeu nesta segunda-feira (20) o primeiro dia da 4ª Reunião de Autores do Suplemento ao Manual 2006 para Inventários Nacionais de Gases do Efeito Estufa do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC). O período de reuniões - que irá de 20 a 24 de maio – reúne um grupo de 80 pesquisadores de diversos países especialistas em áreas úmidas do IPCC que compõem a Convenção Quadro de Mudanças Climáticas. Nos quatro dias de encontros, os cientistas discutem acerca do aperfeiçoamento dos métodos voltados para a medição de emissão e redução de carbono em áreas alagadas de todo o mundo.

As reuniões possuem caráter técnico, e, portanto, são restritas aos estudiosos. A 4ª Reunião encerra o ciclo de atividades, onde os pesquisadores discutirão as críticas e indicações deferidas pelos governos membros para a melhoria dos métodos. Conforme a Dra. Nadja Nascimento, coordenadora de cooperação e intercâmbio do Inpa, já existem guias para os países medirem suas emissões de carbono em diversas áreas. Entre elas estão inclusos os setores elétrico e florestal.

“Existe um guia voltado para os métodos de medição de carbono em áreas alagadas (publicado no último manual metodológico do IPCC, em 2006, chamado de Suplemento 2006), mas de lá para cá foi visto que especificamente dentro das áreas alagadas havia necessidade de melhoras na metodologia. Os pesquisadores buscam fechar uma metodologia padrão para ser utilizada pelos países que compõem a Convenção Quadro de modo que possam então usar, de forma padronizada, em seus países”, relatou a coordenadora.

Os 80 pesquisadores irão se dividir em sete grupos. Cada grupo significa um capítulo do suplemento, onde cada capítulo trata de um tema específico referente às áreas alagadas, destacou Nascimento, que não descarta as possibilidades de parcerias de pesquisa na área específica. Áreas alagadas em solos minerais, manguezais, e áreas alagadas para tratamento de águas residuais estão relacionadas à pauta das reuniões.

Distinguir áreas alagadas com maior precisão

Acerca do último manual metodológico do IPCC, intitulado de Suplemento 2006 – que visa reunir fontes importantes de emissão não consideradas anteriormente - a coordenadora afirma que várias áreas alagadas não foram contempladas. Conforme ela, por conta disso, se faz a necessidade de constituir métodos mais apurados de medição de gases de efeito estufa, voltados especificamente às áreas alagadas.

“No Suplemento 2006 faltou minuciar diferentes áreas. Por exemplo: quando se começou a calcular a emissão de gases de efeito estufa em floresta, se falava em floresta tropical. Dependendo do tipo de floresta tropical dessas áreas, vamos ter um tipo de emissão diferenciada. Dependendo do uso da floresta tropical, a emissão será diferente. Quanto mais se sabe sobre um ambiente, mais diferente será a metodologia de medir a emissão. O que os pesquisadores estão fazendo agora é distinguindo os tipos de áreas alagadas com maior precisão”, afiançou a coordenadora.

Áreas úmidas são as mais produtivas em termos de crescimento vegetal, aponta pesquisador

Dos 80 pesquisadores-autores inseridos, quatro destes são brasileiros. Entre estes está Irineu Bianchini Jr., doutor em Ecologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal de São Carlos (1985) e pós-doutorado pela Universidade Federal de São Carlos (1986). O Dr. enfatiza um dos tópicos vigentes nos encontros.

“Cada capítulo tratará de um tipo de área úmida. Estão se discutindo os valores de taxas de emissão de carbono, metano, óxido de nitrogênio para todos os tipos de plantas. Eu trabalho especificamente no capítulo que aborda os pântanos com o solo mineral. Há outros capítulos que abordarão os solos orgânicos, aquele que mais possui carbono, etc”, completou o pesquisador.

Ainda segundo o pesquisador, o suplemento a ser criado é voltado especificamente às áreas úmidas, comparando as diferenças e semelhanças do antigo manual com o manual em fase de aperfeiçoamento.
 
“No suplemento 2006, as áreas alagadas eram vistas apenas como mais um tipo de solo. Então tínhamos, por exemplo, floresta gerenciada, ou reflorestamento. Temos assentamentos, temos lavoura, temos todos os tipos de uso. Este suplemento é específico por tratar principalmente das áreas que foram convertidas em úmidas eventualmente”, pontuou o professor.

Interesse na abordagem à Amazônia

A necessidade da criação de métodos específicos de medição e redução de carbono em áreas alagadas provém da produtividade das terras: conforme Bianchini, as áreas úmidas são as mais produtivas em termos de produção vegetal.

“As áreas úmidas não são nem alagadas e nem secas. E estes ambientes de transição são normalmente produtivos. São áreas que possuem uma biodiversidade muito grande, e características de serem muito produtivas em termos de crescimento vegetal. E aqui para nós no Brasil é particularmente importante, porque a Amazônia possui muitas áreas úmidas, o Pantanal também... talvez seja o ambiente mais característico do país: a área úmida. Em termos de ambiente aquático, aqui são os lagos de várzea, são aqueles lagos que ficam ao lado do rio, que há bastante aqui. Esses lagos e ambientes de várzea são tidos como áreas úmidas. Daí surge a importância da Amazônia neste quadro”, concluiu Bianchini.

Segundo o presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o deputado estadual Luiz Castro (PPS), a série de reuniões já aconteceu no Quênia, Irlanda e Indonésia, e agora ocorre pela primeira vez no Brasil.

“É um grupo de trabalho científico muito importante, porque estuda a emissão de carbono e, portanto, a contribuição positiva ou negativa das áreas úmidas do mundo, que na Amazônia são, em regra, as áreas alagadiças. O estudo cobre todas as áreas úmidas do mundo”, pontuou o deputado.

Para o diretor substituto do Inpa, Estevão Monteiro de Paula, o período de reuniões possui duas gamas de importância: o reconhecimento da comunidade internacional acerca da proeminência do instituto e as discussões acerca das áreas úmidas, que, segundo ele, ocupam 30% da Amazônia.

“Há várias propostas diferentes com os pesquisadores. Agora eles reúnem para chegar a um denominador comum para tomada de decisão acerca dos métodos de emissão de gases do efeito estufa. Eles estão consolidando números, propostas entre diferentes países”, assegurou o diretor.

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