Quarta-feira, 19 de Junho de 2019
Turismo com botos

Encontro vai discutir atividades turísticas com observação de botos no Amazonas

Representantes de instituições ligadas às questões ambientais além de pesquisadores, querem discutir diretrizes para as atividades turísticas com o animal



1.jpg Instrução quer normatizar turismo realizado com botos vermelhos
24/09/2013 às 11:33

Eles são bonitos, amáveis e viraram há mais de uma década atração turística no Amazonas, em localidades como o município de Novo Airão, distante 180 km da capital, Manaus. Mas, tanta exposição dos botos, principalmente da espécie conhecida como boto-vermelho (Inia Geoffrensis) tem preocupado estudiosos.

Com o objetivo de discutir diretrizes para as atividades turísticas com os botos no Amazonas será realizado um encontro nesta terça-feira(24), a partir das 14h, no auditório da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (AFEAM).

Da reunião irão participar representantes do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI),  Associação Amigos do Peixe-Boi(Ampa), além de representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Piagaçu, da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável (SDS) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e  dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Turismo com a espécie

O turismo de observação de animais em vida livre vem crescendo. O Amazonas é o sétimo destino do turismo no mundo. A exuberante flora e fauna são os principais atrativos. E quem se destaca nesse turismo verde é o boto-vermelho (Inia geoffrensis), um mamífero aquático endêmico da região amazônica, que está classificado como "Dados Insuficientes" pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN – sigla em inglês) e aparece no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção.

O turismo com esse animal, nos rios amazônicos, já ocorre há mais de uma década. Pesquisas recentes apontam que esse tipo de interação tem causado danos à espécie. Conforme o estudo de Luiz Claudio Alves, realizado em 2009, no Parque Nacional de Anavilhanas (PNA), em Novo Airão, distante da capital amazonense 180 km; os botos condicionados que participam dessa atividade mudaram o comportamento social.

Segundo pesquisadores, esse tipo de atividade pode ser uma estratégia de conservação do boto-vermelho (Inia geoffrensis), que hoje sofre uma grande pressão pela ocupação humana e nos últimos anos vem sendo caçado indiscriminadamente para ser utilizado como isca na pesca de um peixe chamado piracatinga, que no Brasil é comercializado com o nome de douradinha.

“O objetivo da Ampa, em parceria com o Inpa, para essa normatização é promover o bem-estar dos animais. Acreditamos que com as diretrizes estabelecidas para essa atividade será possível fazer um trabalho mais efetivo de conscientização dos turistas, assim como, favorecer a qualidade de vida dos botos”, explica a presidente da Ampa, Nívia do Carmo.

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