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Estados 'verdes' reagem a desconhecimento de cartas que norteiam políticas ambientais

Governadores dos Estados da Amazônia Continental se decepcioram, durante a Conferência do Clima em PAris, com o Governo Federal em desconhecer documentos oficiais que indicam políticas ambientais na região. Isso aconteceu na Conferência do Clima, e haverá resposta 08/12/2015 às 20:12
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José Melo com governantes da Amazônia: Brasília sabe cobrar metas, mas na hora de sentar à mesa para traçar políticas ambientais conjuntas, se esquiva
Antonio ximenes Paris, França

O governo brasileiro não tem interagido em grande escala com os nove governadores da Amazônia, na Conferência do Clima em Paris. Um exemplo deste desalinhamento se observa com a postura do embaixador brasileiro na França, Paulo Oliveira Campos, que não conhece as cartas de Cuiabá, Manaus e Belém que norteiam as políticas ambientais dos nove governadores que constituem a força tarefa da Amazônia, na defesa dos interesses da maior floresta tropical do planeta.

“Não tenho conhecimento dessas cartas, mas vou procurar conhecê-las”, disse Campos, que participa da COP 21 em uma posição privilegiada, já que o Brasil é considerado uma liderança ambiental global.

 A exemplo do diplomata, a ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, vai na mesma direção, quando o assunto é valorizar as opiniões e políticas dos governadores da região, que representa mais de 60% do território nacional, e é apontada pelos ambientalistas como a ‘joia da coroa’ mundial, quando o assunto é preservação em floresta tropical, mesmo que nos últimos meses ela tenha registrado aumento no desmatamento.

Desmonte

Governadores como José Melo, do Amazonas; Pedro Taques do Mato Grosso; Simão Jatene do Pará; entre outros da região, sentem-se como os que “carregam o piano” da preservação, enquanto o governo federal ganha os louros por um trabalho que não tem feito; visto que o Ibama vem sofrendo um desmonte na Amazônia e a maioria dos desmatamentos em grande escala tem acontecido nos assentamentos federais.

O incômodo dos governadores se dá, também, porque Brasília sabe cobrar metas, mas na hora de sentar à mesa para traçar políticas ambientais conjuntas, se esquiva e não leva em consideração os pontos de vista dos responsáveis por manter a floresta em pé. “Falta diálogo”, disse José Melo. “Podemos colaborar mais, mas precisamos ser ouvidos”, pontuou Taques.

Desprezo

A “espinha na garganta” dos governadores tem sido a posição de pouca flexibilidade da ministra Izabella Teixeira, que, na COP 21, apresenta um discurso eminentemente federal, sem dar maior crédito aos Estados da Região Amazônica, notadamente, ao grupo de chefes do Executivo regionais. A exceção tem sido o Acre, do governador Tião Viana (PT), que, historicamente, tem sido agraciado por Brasília com recursos para fortalecer sua política ambiental.

Sem diálogo

O incômodo dos governadores se dá, também, porque Brasília sabe cobrar metas, mas na hora de sentar à mesa para traçar políticas ambientais conjuntas, se esquiva e não leva em consideração os pontos de vista dos responsáveis por manter a floresta em pé. “Falta diálogo”, disse José Melo. “Podemos colaborar mais, mas precisamos ser ouvidos”, pontuou Pedro Taques, do Mato Grosso.

Em números 

- 9 Estados compõem a Amazônia Legal, que ocupa 5.016.136,3 km²,  que correspondem a cerca de 59% do território brasileiro. Nela vivem em torno de 24 milhões de pessoas, segundo o Censo 2010. 

- 9 São os países que fazem parte da Amazônia. A maioria das florestas está no Brasil (60%),  seguida por Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

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