Quarta-feira, 19 de Junho de 2019
Seca

Estiagem forte preocupa municípios nas calhas do Juruá e Purus

A situação mais preocupante é em Guajará que está a 30 centímetros de atingir a cota histórica de estiagem. Em 1995, o rio atingiu 2,20 metros e nesta segunda (8) o nível chegou a 2,50 metros



mb_.JPG De acordo com a Defesa Civil a estiagem em Guajará pode ficar próxima da marca história, registrada em 1995. (Divulgação)
08/08/2016 às 21:26

Onze municípios das calhas do Purus e Juruá permanecem em situação de alerta, conforme divulgou, nesta segunda-feira (8), a Defesa Civil do Amazonas. A situação mais preocupante é a do município de Guajará (calha do Juruá) que está a 30 centímetros  de atingir a conta histórica de estiagem. Em 1995, o rio atingiu a cota de 2,20 metros e nesta segunda, o nível chegou a 2,50 metros. 

O secretário  executivo da Defesa Civil do Estado,  Fernando Pires Junior, disse que apesar da Situação de Alerta, Guajará ainda apresenta a normalidade social, ou seja, os serviços essenciais ainda não foram afetados pela seca do rio, mas ponderou que a situação é preocupante e que a trafegabilidade de embarcações começa a ser afetada.

Ele também explicou que a tendência é de que os níveis dos rios baixem mais até o  final do trimestre, visto que a previsão é de poucas chuvas para os meses de agosto, setembro  e outubro. “Acredito que o nível do rio em Guajará vai ficar bem próximo da marca histórica. Isso nos preocupada porque a estiagem traz mais problemas para as comunidades ribeirinhas do que as enchentes, porque a vida econômica e social delas giram entorno do rio”, explicou o secretário.

Fernando Pires disse que além dos municípios do Juruá, as cidades que são banhadas pelo Purus também sofrem com a estiagem. Em Boca do Acre, o tráfego de embarcações apresenta dificuldades e no município de Pauiní,   há registro de falta de água potável na sede do município e ocorrências de doenças hídricas, como as diarreias.

Em Lábrea, também no Purus, além da dificuldade na trafegabilidade das embarcações, há ainda a preocupação com o restabelecimento de gêneros e combustível no município. “O abastecimento está sendo prejudicado também, porque só embarcações de menor porte conseguem trafegar. Mas por enquanto, não há necessidade de decreto de Situação de Emergência porque a  normalidade social das comunidades não foram afetadas”, explicou o secretário.

Ainda de acordo com Fernando Pires,  a Situação de Alerta é o segundo estágio de um desastre, que pode evoluir para uma Situação de Emergência. “Estamos acompanhando 24h a situação de cada município e realizando orientações às Prefeituras quanto aos procedimentos preparatórios de resposta para um possível agravamento do desastre natural”, disse ele.

Em Manaus, o rio Negro também segue em ritmo de vazante, dentro da normalidade. Ontem, o Negro chegou a 26,29 metros, vazando cerca de 5 centímetros por dia.

Poucos chuvas

De acordo com a Defesa Civil do Amazonas,  a análise do Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil do Estado (CEMOA), demonstrou que a situação hidrológica das calhas do Juruá e Purus  tiveram agravamento devido ao baixo índice pluviométrico registrado nessas regiões último semestre.

As análises foram feitas com base nos dados divulgados pelo Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC). Além dos 11 municípios em Situação de Alerta, as cidades de Beruri e Juruá estão de Situação de Atenção.

Efeito La Niña

De acordo com o Instituno Nacional de Meteorologia (Inmet), a condição de seca ocorre desde o ano passado, em virtude do efeito do fenômeno climático “El Niño”, que na região amazônica dificulta a formação de nuvens, diminuindo as chuvas e aumentando as temperaturas.

“Por estes motivos, os rios da região não tiveram grandes cheias. Segundo o prognóstico climático, o El Niño está enfraquecendo e as previsões indicam que para os próximos meses, até o final do ano, tenhamos uma La Niña de intensidade franca. Isso poderá favorecer a formação de nuvens e chuvas, mas que ainda não devem mudar as condições de forte estiagem, explicou o meteorologista Gustavo Ribeiro.

Ainda de acordo com Ribeiro, a  previsão climática para o trimestre  é de chuvas dentro da normalidade para o período em grande parte da Amazônia, exceto no norte do Amazonas e em Roraima, onde as chuvas devem ficar abaixo da média.

Eles  ressaltou que neste período é normal observar  poucas chuvas em grande parte da Amazônia, também com exceção do extremo norte, onde as chuvas normalmente são em maior volume.

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