Domingo, 08 de Dezembro de 2019
Amazônia

Estudo revela que poluição emitida em Manaus altera atmosfera amazônica

Estudo mostra que poluição produzida na capital amazonense modifica o estado das partículas e influencia processos naturais



1.jpg Realizada pelo GOAmazon, estudo mostrou que poluição de Manaus solidifica partículas em suspensão e modifica , por exemplo, as trocas de gases da floresta
10/12/2015 às 09:24

Um estudo publicado na revista Nature Geoscience, na última segunda-feira, demonstrou que a poluição emitida pela cidade de Manaus altera o estado físico das partículas presentes na atmosfera amazônica, aumentando a fração de material particulado sólido mesmo em uma situação de alta umidade relativa do ar.

“Além de prejudicar os mecanismos de formação de nuvens, essa mudança na natureza das partículas faz com que nutrientes como fósforo, cálcio, enxofre e nitrogênio fiquem menos biodisponíveis para o funcionamento da floresta”, alertou o professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e coautor do artigo, Paulo Artaxo.



A investigação foi conduzida por um grupo de pesquisadores brasileiros, canadenses e norte-americanos que integram a campanha científica Green Ocean Amazon (GOAmazon), que conta com apoio das Fundações de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e de São Paulo (Fapesp) e do Departamento de Energia dos Estados Unidos.

De acordo com Artaxo, o estudo tinha como objetivo determinar a natureza das partículas em suspensão, verificar se são predominantemente líquidas ou sólidas, porque isso influencia a dinâmica dos processos atmosféricos que ocorrem na Amazônia. “As reações químicas de troca de gases entre a atmosfera e a floresta são muito mais rápidas, fortes e intensas quando as partículas são líquidas. O retorno para o ecossistema dos nutrientes críticos para o ciclo biogeoquímico das plantas ocorre de forma mais acelerada quando eles estão na forma solúvel”, explicou o pesquisador.

Os resultados mostraram que, em condições naturais, quase 100% das partículas atmosféricas estão em estado líquido quando a umidade relativa do ar está acima de 80%. Isso ajuda a explicar, por exemplo, porque o ciclo hidrológico na Amazônia é tão intenso.

“As partículas líquidas funcionam de forma muito eficiente como núcleo de condensação de nuvens. As gotas aumentam de tamanho rapidamente e logo adquirem massa suficiente para precipitar”, contou Artaxo.

Na presença de poluição, porém, o índice de partículas líquidas na atmosfera cai para 60%, mesmo com alta umidade relativa do ar acima de 80%.

Em números

100 Pesquisadores, aproximadamente, do experimento GoAmazon em diversos países. Iniciado em 2014, eles estão dedicados a estudar o efeito da poluição e das atividades antrópicas em aspectos como química atmosférica, microfísica de nuvens e funcionamento dos ecossistemas. O objetivo final do grupo é estimar o impacto da urbanização em aspectos críticos do ecossistema amazônico, tais como mudanças futuras no balanço radioativo, na distribuição de energia, no clima regional, nas nuvens e seus feedbacks para o clima global.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.