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Expansão urbana sem áreas verdes pode aumentar índices de temperatura, diz pesquisa

Segundo estudos, o crescimento urbano de Manaus sem árvores pode aumentar a temperatura da superfície em 3ºC, em média, e 0,4ºC a temperatura do ar 22/09/2015 às 10:04
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Do alto é mais fácil perceber o quanto a vegetação foi suprimida durante o processo de expansão urbana de Manaus, especialmente nos bairros originários de invasão
Isabelle Valois ---

O crescimento da área urbana de Manaus, sem arborização, pode aumentar a temperatura da superfície em uma média de 3°C e, a temperatura do ar, em aproximadamente 0,4°C. Essa foi a conclusão da pesquisa “O cenário de urbanização e seus impactos”, da universitária do curso de arquitetura e urbanismo da Uninorte, Denise Hall.

O trabalho foi contemplado pelo Programa de Apoio à Participação em Eventos Científicos e Tecnológicos (Pape), da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e será apresentado no próximo mês, no Simpósio de Climatologia, em Natal.

Além de apresentar o problema relacionado com o crescimento da área urbana sem planejamento, a estudante apresentou uma proposta. “Na pesquisa não fizemos apenas um cenário negativo, mas também apresentamos uma forma correta de crescimento da área urbana, em que o crescimento contempla áreas verdes, implementando, a cada 300 metros, de 40% a 60% de área verde”, completou. A implantação das áreas verdes, de acordo com a pesquisa, resulta nesse resfriamento, explicou Denise.

Faltam árvores

Conforme o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas (CAU/AM), Manaus é uma das capitais brasileiras menos arborizadas do País e isso contribui para as chamadas “ilhas de calor”. O conselho informou que essas ilhas de calor são geradas pelas temperaturas elevadas, quando a sensação térmica é acima do esperado. Essas ilhas de calor incidem pela cidade devido à verticalização, os tipos de revestimentos das fachadas das edificações, desmatamento, além da diminuição da permeabilidade do solo devido ao aumento da pavimentação asfáltica. Com falhas de planejamento urbano, a cidade cresce sem responsabilidade ambiental.

Arborização encontra dificuldades

A diretora de Arborização e Paisagismo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmas), Rosemary Bianco, informou que, desde 2010, a secretaria vem desenvolvendo um projeto de rearborização da área urbana da cidade. Mas o projeto encontra alguns problemas para ser desenvolvido nos bairros da Zona Leste, por conta da falta de infraestrutura, especialmente nos bairros oriundos de invasões.

“Nesses casos, distribuímos mudas para os moradores e eles ficam responsáveis de plantar nos seus quintais. Nessas áreas há poucos espaços urbanos, poucas calçadas e canteiros centrais disponíveis para plantio”, explicou.

Mesmo assim, Rosemary informou que a secretaria assumiu o desafio e tem tido bons resultados. “A avenida Djalma Batista é um deles: a via passou por um processo de requalificação que incluiu a arborização como um dos elementos presentes ao seu novo formato. O canteiro central e os passeios públicos ao longo de quase quatro quilômetros da Djalma estão arborizados, apresentando apenas a necessidade de complementações e reposições que já estamos fazendo. Tivemos este ano, a primeira floração dos ipês, dando uma nova paisagem à via”, contou.

Em números

685.664 mudas de plantas foram produzidas pela prefeitura desde 2010, de acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas). Dessas, 217.523 foram doadas e 94.336 mudas foram plantadas.

Metrópoles

O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas (CAU/AM), Jaime Kuck, informou que toda cidade do País tem lugares mais quentes que os outros, ou seja, toda cidade tem ilhas de calor, umas mais, outras menos.

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