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Amazônia
Logística

Expedição parlamentar vai fiscalizar obras da BR 319

Deputados e senadores do Amazonas, de Rondônia e Roraima vão seguir em caravana de carros pelos trechos em obras da rodovia 27/10/2015 às 11:51 - Atualizado em 15/03/2016 às 21:09
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Estrada é 'problemática', sobretudo, na época das chuvas (Euzivaldo Queiroz/Arquivo AC)
Da Redação

A expectativa de parlamentares da região é de que, até o fim deste ano, se possa sair de Porto Velho (RO) pela manhã e chegar em Manaus (AM) no fim da tarde do mesmo dia pela rodovia federal BR 319, que liga as duas capitais. No dia 9 de setembro, o superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Fábio Galvão, anunciou a retomada das obras que darão trafegabilidade à via.

No próximo dia 26, uma expedição de parlamentares amazonenses e rondonienses vai sair de Humaitá, no Sul do Amazonas, em direção a Manaus para fiscalizar o trecho em obras. A expedição foi marcada hoje (5) durante uma audiência pública na sede da Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO), em Porto Velho. Parlamentares de Roraima também serão convidados.

Já foram liberados R$ 349 milhões pelo Governo Federal para revitalizar os 400 quilômetros de estrada que estão em péssimas condições de tráfego.

"Estamos formando uma frente parlamentar mista com deputados estaduais, federais e senadores do Amazonas, de Rondônia e de Roraima para acompanhar todo esse processo. Os parlamentares de todos esses Estados serão convidados a participar da caravana que vai percorrer esses trechos mais problemáticos da rodovia", explicou o deputado Francisco Souza (NOVO), que participou da audiência.

Segundo Souza, a revitalização da rodovia vai ser um indutor do desenvolvimento econômico e social na região. "Faltou vontade política para tirar esse projeto do papel. Agora, há um esforço muito grande, uma articulação para que a 319 deixe de ser um sonho", disse o

O deputado amazonense também criticou o "discurso radical" dos órgãos ambientais - com base em um relatório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que afirma não haver licença do órgão para que o trecho em obras (entre os quilômetros 250 e 655 da rodovia) seja reconstruído, o Ministério Público Federal (MPF) está pedindo a suspensão da obra.

"Não podemos mais ficar reféns desse discurso radical. A rodovia vai ligar o Amazonas ao País, vai fortalecer o intercâmbio comercial com os nossos Estados vizinhos, Países da América do Sul  e com o resto do mundo pelo Oceano Pacífico futuramente. Vai dar suporte ao escoamento da produção. Outro vetor de desenvolvimento será o turismo, um dos nossos maiores potenciais", afirmou Souza.

Para o presidente da ALE-RO, deputado Maurão de Carvalho (PP), a audiência de hoje deu novo ânimo de esperança para que a obra seja entregue dentro do prazo. "Parte do trabalho já foi executado e estamos caminhando para a conclusão, que não pode parar. Há um entendimento de que a obra é um ponto essencial para o desenvolvimento e tudo está sendo feito na base do diálogo. Hoje, nesse encontro, promovido pelo senador Aírton Gurgacz (PSD-RO), estiveram aqui representantes de todos os segmentos e o balanço é que foi produtivo. Temos que somar forças. Por isso, marcamos essa expedição", disse.

Uma audiência da nova frente parlamentar será realizada em Manaus, na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), em data ainda a ser marcada.

Souza critica lobby de empresas de navegação

Francisco Souza disse que além do discurso ambiental "radical", outro fator que contribui para as diversas paralisações das abras da rodovia foram os interesses dos empresários do ramo da navegação, que ficariam prejudicados com a revitalização da BR 319.

"Eles, inegavelmente, tem uma força porque dominam a logística de cargas entre Manaus, Rondônia e Belém. Mas não é por isso que vamos ficar parados e negando o novo modal. Faltava união para termos força política, agora temos", disse.

Recuperação para o tráfego, mas sem asfalto em boa parte da via

Segundo o DNIT, as obras de restauração começam na saída do município do Careiro da Várzea, no Amazonas, até o quilômetro 200, que é trecho que temos a autorização para trabalhar. "A partir do quilômetro 200 até o município de Humaitá, o DNIT não possui autorização ambiental para realizar obras de pavimentação, então será feito apenas o serviço de manutenção para trafegabilidade pela estrada e chegar até a Porto Velho”, explicou Fábio Galvão em visita à ALE-AM no mês passado.

Abandonada por 30 anos

Com seus 877 quilômetros de extensão, a BR 319 foi construída entre o fim da década de 1960 e início da década de 1970.

A rodovia fez parte do projeto de expansão e ocupação da Amazônia pelo regime militar, que via essa região como “desabitada”, uma “terra sem homens” e propagava o lema “integrar para não entregar".

A estrada foi inaugurada oficialmente em 1976, no governo Ernesto Geisel. Apesar disso, nunca foi concluída integralmente.

Nas décadas de 1980 e 1990, a manutenção dela foi completamente abandonada pelo poder público. Só em 2013, as obras de pavimentação foram retomadas com o asfaltamento das duas pontas da rodovia.

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