Terça-feira, 23 de Abril de 2019
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Amazônia

Falta de gestão e de consciência compromete igarapés de Manaus

Ciclo "natural" do lixo nos revela um futuro ambiental obscuro se a poluição dos nossos rios continuar no ritmo atual. Em 2014, 7,5 mil toneladas de resíduos foram retirados dos igarapés


04/06/2015 às 19:18

É em uma casa azul, com quadros religiosos pendurados na parede e piso de madeira encerado, que a aposentada Maria Costa da Silva, 73, vive há quase 50 anos. Mesmo morando às margem do rio Negro, a paisagem não é tão agradável quanto se imagina. Todos os dias, ao acordar, a aposentada abre a janela e se depara com a triste imagem do montante de lixo acumulado ao redor da casa dela.

A gentileza de Maria se confunde com a tristeza no olhar cada vez que relembra o processo de contaminação da orla do Educandos,  Zona Sul. “É triste porque nós, moradores, colaboramos para que isso acontecesse”, conta, enquanto assiste pela janela da cozinha a uma briga entre dois ratos.

Ela não tem como sair do local e é uma das poucas pessoas da comunidade que colabora para não agravar o problema, separando o lixo corretamente e não descartando nada no rio. Mas, como uma andorinha só não faz verão, a iniciativa é quase imperceptível em meio às toneladas de garrafas, fraldas descartáveis, sacolas, geladeiras velhas, aparelhos televisores e até vasos sanitários descartados nas águas.

Em 2014, 7,5 mil toneladas de resíduos foram retirados dos igarapés de Manaus. Nos primeiros três meses deste ano, foram 2,1 mil toneladas. A Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) afirma que esta é a modalidade de limpeza mais cara do mundo, custando aos cofres públicos R$ 990 mil por mês. Mas isso já virou uma tradição.

Em termos de poluição hídrica, Manaus não está muito distante da capital de São Paulo, megalópole que ocupa o 1º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do País e tem uma população estimada em quase 12 milhões de habitantes. Em ambas capitais, todos os cursos hídricos que cortam a cidade estão poluídos, embora a amazonense abrigue 10 milhões de pessoas a menos que o principal centro financeiro do Brasil. 

“A única diferença é que em São Paulo há uma crise hídrica violenta e, aqui ainda não sofremos com a falta d’água. Mas existe uma falta de gestão de recursos hídricos enorme. É triste que uma cidade como Manaus não tenha mais um igarapé limpo. Até as nascentes que ainda estão protegidas correm risco por conta dessa expansão urbana desordenada”, alerta o pesquisador Sérgio Bringel, da Coordenação de Recursos Hídricos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).


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