Sábado, 19 de Outubro de 2019
Problema ambiental

Famílias convivem com riscos em lixão a céu aberto no município de Juruá, no AM

Além da fumaça tóxica causada por resíduos queimados e lixo hospitalar despejado no local, a derrubada de mais de mil árvores na região aumentou o problema que afeta a população



_ASL5690.JPG Pelo menos oito famílias que moram no entorno da lixeira (Divulgação)
05/07/2016 às 21:07

Há 15 anos, o aposentado Fernando Alves de Oliveira, 67, luta para tirar o lixão a céu aberto do município de Juruá (a 674 quilômetros de Manaus) de dentro das terras dele. Além da fumaça tóxica causada pelos resíduos queimados e do lixo hospitalar despejado no local, ele contabilizou a derrubada de mais de mil árvores que existiam na área, entre seringueiras e outras árvores frutíferas.

“Comprei o terreno em 1989 e lá plantávamos de tudo. Meu filho mais novo adoeceu e eu precisei vir para Manaus cuidar dele, foi quando a prefeitura instalou dentro da minha propriedade”, conta o aposentado. No título definitivo apresentado por Fernando, de número 71, consta que a área possui 25 mil metros quadrados. “Só de lixão são 16 mil metros quadrados”, completou.



Além disso, segundo ele, há pelo menos oito famílias que moram no entorno da lixeira. “Só no meu terreno, onde moram minha família, são quatro residências. Isso é um perigo muito grande para a saúde das pessoas”. Nas fotos apresentadas pelo denunciante, há crianças catando lixo no local.

“Falei com o prefeito inúmeras vezes e ele diz apenas para eu procurar os meus direitos. Já abri um processo de crime ambiental, fui nas secretarias de meio ambiente, denunciei de todas as formas, e nada aconteceu”, lamentou.

Em 2011, ele protocolou uma denúncia no Ministério Público Federal (MPF). “Eles queimam o lixo porque não fazem nem o serviço de aterro. É um crime ambiental sem tamanho, pois até igarapé tem naquela área. O lixão está poluindo os lençóis freáticos”, finalizou.

Política Nacional

Se passaram seis anos desde a instituição da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e nenhum município amazonense conseguiu pôr seus planos em prática. De acordo com o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), o município de Juruá se quer apresentou o plano. A pasta fiscalizadora afirmou que têm realizado fiscalizações nas lixeiras desde 2013.

O Ipaam ressaltou que não recebeu denúncia formal sobre o caso, mas que no final de fevereiro deste ano uma equipe esteve município para averiguar uma denúncia sobre despejo de esgotamento sanitário da cidade no rio Juruá. “Notificamos a Prefeitura de Juruá para apresentar seu projeto de esgotamento sanitário e ainda não tivemos a resposta”.

Ainda segundo o Instituto de Protação Ambiental, as  fiscalizações terão continuidade no segundo semestre. “Ressaltamos que a questão dos lixões é uma preocupação do Ipaam, a partir do cumprimento da Lei Nacional de Resíduos Sólidos, por cobrança do Ministério Público Estadual (MPE) e MPF.

Sem resposta

A equipe de reportagem tentou contato com a prefeitura de Juruá  pelo número  (97) 3427-1006  e solicitou resposta através do  e-mail prefeiturajurua@gmail.com, disponível no site da Associação Amazonense de Municípios (AAM), sem sucesso.


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