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Fome de saber: desigualdades aumentam a luta cotidiana

Regime das águas joga os custos da educação para o alto, mas isso não é levado em consideração pelos governos 08/11/2015 às 19:25
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Após vencerem a correnteza do rio, estudantes do Careiro da Várzea botam o pé na lama até chegarem na escola
Luana Carvalho Careiro da Várzea (AM)

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Na região amazônica, onde a realidade dos alunos é diferente de outras partes do Brasil, as dificuldades de logística afetam até a distribuição de merenda escolar. As lanchas não chegam aos portos das escolas no período da vazante por conta das imensas praias que surgem nas margens dos rios.

“Nós nos deparamos com uma situação difícil até para programar um calendário especial. Temos dois fenômenos que nos atinge. Na cheia, a rotina ainda funciona melhor porque o acesso fica fácil. Só suspendemos as aulas quando as águas invadem as escolas. Mas na seca tudo fica mais difícil e a evasão dos alunos é um dos piores problemas que enfrentamos”, relata a Secretária Municipal de Educação do Careiro da Várzea, Marly Braga Ricardo.

O município conta com apenas 5% de terra firme, o restante da área é várzea. “Nos municípios do Amazonas vivemos situações atípicas demais, mas aqui é ainda pior porque 95% da área do município é várzea”, comenta .

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E mesmo na escola pública do interior, há muitos alunos que se destacam. A professora Itelvina Silva conta que seus dois filhos estudaram até o ensino médio no município e hoje todos possuem curso superior. “Passaram por mim muitos outros alunos que conseguiram vencer na vida e hoje são médicos, outros advogados”, conta.

O estudante Gean Nice, 10, é uma das apostas da professora. “Eu gosto muito de estudar e quero ser policial quando crescer”, conta o pequeno, que acorda às 5h e enfrenta os mesmos desafios que os outros colegas para chegar à escola.

‘Região diferenciada’

Os recursos do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) são distribuídos de forma automática e periódica, com base no número de alunos da educação básica pública.

No entanto, o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito a Educação, Daniel Cara, afirma que o governo federal deveria complementar R$ 1,5 bilhão para viabilizar o Custo Aluno Qualidade (CAQ), incorporado ao novo Plano Nacional de Educação (PNE), no Amazonas.

“Todos devem receber recursos para garantir o CAQi, que é o padrão mínimo de qualidade. Porém alguns precisam de um pouco mais do que esse padrão mínimo, por questões inúmeras. É o caso do Amazonas”, ressalta. De acordo com o especialista, os estados do Amazonas e Pará são os que mais necessitam do aporte de complementação na região norte por incluírem de forma expressiva mais alunos na rede pública e por terem suas peculiaridades.

Após vencerem a correnteza do rio, estudantes do Careiro da Várzea botam o pé na lama até chegarem na escola.

Em números: 3.665

É o número de alunos do ensino fundamental e médio na rede municipal de educação do Município de Careiro da Várzea. No período da vazante do rio, pelo menos metade dos alunos deixam de frequentar as aulas diariamente.

Frase

"Na seca tudo fica mais difícil e a evasão dos alunos é um dos piores problemas que enfrentamos”. Marly Braga, secretária municipal de educação

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