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Governador José Melo endurece discurso por compensações ambientais no Amazonas

Gestor sancionou a lei que permite ao Estado ter acesso a recursos financeiros por manter floresta em pé, e afirma que vai a Paris exigir seriedade da comunidade internacional com o tema 01/12/2015 às 21:28
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Usando frases de efeitos e ironias pesadas, José Melo disse que não voltará de Paris para cumprir ordens de países desenvolvidos. Para Melo, está na hora de pagarem pelos serviços ambientais
Isabelle Valois Manaus (AM)

“Serei o primeiro a pegar a motosserra e derrubar as árvores no Amazonas se meu povo precisar de alimento”. É com essa  disposição  que o governador  José Melo (Pros)  irá participar da Conferência do Clima (COP-21), em Paris, França. Melo garantiu que não voltará para Manaus recebendo ordens dos países do primeiro mundo sobre o que dever ser feito para haver a preservação, mas aproveitará o encontro para buscar diálogos e recursos, principalmente, para melhorar a vida da população.

As declarações fortes foram dadas, nesta terça-feira (1º), quando o governador sancionava  a  nova Lei de Serviços Ambientais, que estabelece regras para o recebimento de recursos advindos de compensações ambientais pagas por organismos internacionais e países poluidores.

A Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) informou que, se consideradas somente as 42 Unidades de Conservação estadual, o Amazonas tem  196 milhões de toneladas de carbono para negociar. Como cada tonelada, no mercado, custa em média US$ 5, o Estado pode captar  até US$  3,6 bilhões com a implantação de projetos.

A captação de toda a área preservada do Amazonas é estimada em R$ 17 bilhões até 2020. Para a Amazônia brasileira, os valores que podem ser captados  estão estimados em U$S 45 bilhões até 2020, mas muitos estados ainda não definiram as regras para contar com esses recursos.  Com a sansão da Lei de Serviços Ambientais, o Amazonas desponta entre os primeiros a se habilitar a receber essa verba.

Compensações

José Melo informou que, além de participar da Conferência, o Amazonas estará em busca de diálogos com outros países  que valorizem o conceito de ecologia, como  Noruega, Alemanha, Espanha e Itália etc.

“Quero fazer uma grande coalizão em torno daquilo que é nossa realidade. Quero separar o joio do trigo. Vivemos em uma região que  foi muito maltratada, mas que tem uma virgem dentro dela:  o  Amazonas. Quero que o mundo conheça o Estado do Amazonas, um estado muito preservado, que tem quase 3 mil indígenas e  4 milhões de pessoas vivendo aqui e que para abrir mão dessa riqueza toda precisa ter compensações”, completou.

Só 3% do Estado foi desmatado

A diretora-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), Ana Aleixo, apresentou o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélites (Prodes) e disse que o Estado preserva  97% do território com cobertura florestal.

Sobre o aumento do desmatamento anunciado pelo Ministério do Meio Ambiente, com a base nas pesquisas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Ana Aleixo  informou que aguardará o resultado final do trabalho, mas ponderou  que a situação pode estar relacionada com o avanço da fronteira agrícola e a exploração madeireira no  Sul do Amazonas.

“Não é que o Estado tenha aumentado por falta de um programa de monitoramento e fiscalização, na verdade há um avanço natural. Esses Estados, ao longo de 50 anos, foram aumentando a áreas  agrícolas. A pressão maior é porque tem uma vegetação parecida que fica no Sul do Estado, mas há uma ação forte do governo no sentido de  desenvolver a política de monitoramento”, comentou.

Conforme os dados do Prodes, em um período de 10 anos, entre os anos de 2003 a 2014 o Amazonas diminuiu 70% da supressão vegetal. Deixou de desmatar  70% nesse período, mesmo após ter avançado o desmatamento no Sul do estado.

Houve ainda um aumento de desmatamento de 54% na Amazônia como um todo, mas o Amazonas está na quarta colocação no ranking do desmatamento.

Sobre estes dados, o governador José Melo destacou que o Amazonas precisa ser tratado com responsabilidade, pois tem a responsabilidade de preservar “um patrimônio do Brasil e um patrimônio humanidade”. “A floresta, ao sequestrar carbono, contribui de forma decisiva para o equilíbrio ecológico do mundo todo. É nessa linha que eu vou a Paris, de outra forma eu ficaria aqui em Manaus, não sairia daqui do meu Estado”, disse.

Blog: José Melo

Governador do Amazonas

“O Amazonas renunciou, há muito tempo, a 12 %   do seu território quando criou as reservas de desenvolvimento sustentáveis. Eu pergunto: o que mudou na vida do homem e da mulher do interior? Não mudou nada! Ao contrário, trouxe um  custo de manutenção para o Estado”, destacou o governador.

“Então tem que acabar com a brincadeira com esse Estado. Depois, quando se publica algo sobre o desmatamento, fazem como se o mundo estivesse se acabando com o desmatamento de uma área que ainda está  97% preservada. Essa brincadeira tem que acabar”.

‘Indo buscar investimento’, diz secretário executivo

“A política estadual de serviços  ambientais prevê a construção de mecanismos econômicos, públicos e privados. Estamos contemplando que o conselho estadual de meio ambiente possa fazer a supervisão desses recursos, desses fundos, pra que toda a transparência possível seja articulada", afirmou Luiz Piva, secretário executivo da Sema.

"A ideia é criar um sistema de repartição de benefícios uma discussão ampla com a sociedade para que possamos definir os princípios, critérios e nova guardas de repartição desses benefícios para que os recursos cheguem efetivamente. Estamos agora em processo de regulamentação dessa política. Estamos indo à COP21 para atrair os investimentos necessários”, completou.

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