Quarta-feira, 26 de Junho de 2019
Amazônia

Governo Federal quer apoiar agroextrativismo na Amazônia

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que serão anunciadas medidas para a regulamentação do uso das reservas extrativistas e regularização fundiária na região amazônica



1.gif A meta é anunciar medidas nas áreas de educação, saúde, energia, transporte, moradia e assistência técnica para as populações extrativistas

O governo federal pretende lançar um plano nacional para fortalecimento do agroextrativismo da Amazônia durante o 2º Chamado da Floresta, evento que pretende debater e propor políticas públicas para o desenvolvimento sustentável de quem vive nas florestas da Amazônia. O encontro começou nesta quinta (28) e deve reunir mil lideranças extrativistas dos nove estados que compõem o bioma amazônico.

Realizado na Reserva Extrativista (Resex) Gurupá-Melgaço, no município de Melgaço, Arquipélago do Marajó, no leste do Pará, o evento continua nesta sexta (29), com a presença das ministras do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, do ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, e do secretário executivo da Secretaria-Geral da Presidência da República, Diogo de Sant'Ana.

As autoridades vão anunciar uma série de medidas nas áreas de educação, saúde, energia, transporte, moradia e assistência técnica para as populações das reservas extrativistas, de desenvolvimento sustentável e dos projetos de assentamento extrativista.

A ministra Izabella Teixeira ressaltou que serão anunciadas medidas para a regulamentação do uso das reservas extrativistas e para a regularização fundiária. “As reservas têm desafios enormes. As populações que lá estão muitas vezes não têm acesso à infraestrutura, energia elétrica, casa. Vamos anunciar assistência técnica para que essas pessoas possam trabalhar o manejo florestal”, disse.

Segundo ela, em 2006, apenas 3.800 famílias tinham título de propriedade nas reservas. Hoje, são 34 mil, e a meta é chegar no ano que vem a 54 mil famílias. “A primeira maneira de combater o ilícito é dar regularização da terra. Vou assinar o regulamento de uso das reservas extrativistas, o que nunca foi feito. As Resex são criadas e se deixa o povo meio solto. Isso é uma demanda enorme das populações extrativistas”, disse Izabella.

Com o tema “Conservar a Floresta e Proteger a Vida”, o encontro também vai lembrar os 25 anos da morte do líder seringueiro Chico Mendes, assassinado em Xapuri, no Acre, no dia 22 de dezembro de 1988. “Queremos trazer a memória e a luta de Chico Mendes. Vamos lembrar que, mesmo com sua morte, outros camponeses foram assassinados e ainda há muitos ameaçados de morte”, disse a vice-presidente do CNS, Edel Moraes.

De acordo Moraes, os extrativistas vão reivindicar ao governo a regularização fundiária de suas terras, a criação de novas reservas e a efetiva implantação de políticas públicas. “Sempre houve muita exploração dos recursos naturais da Amazônia e descaso com as populações ribeirinhas”, ressaltou.

“Falta implementar efetivamente as unidades de conservação com seus planos de manejo sustentável. Queremos mostrar que na floresta tem gente que vive, produz e preserva o meio ambiente”, disse Edel, que lembrou que a cidade onde o evento é realizado, no Pará, tem o menor Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do País.

O 2º Chamado da Floresta é organizado pelo Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS).

Receba Novidades

* campo obrigatório

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.