Domingo, 17 de Novembro de 2019
Amazônia

Ibama implementa plano para prevenir acidentes e emergências na área portuária de Manaus

Medida visa combater principalmente o derramamento de óleo no Rio Negro. Ibama reunirá com instituições ambientais para acertar responsabilidades



1.jpg Além dos vazamentos acidentais de óleo, há relatos de que embarcações jogam óleo propositalmente nos rios, igarapés e lagos da cidade. Falta fiscalização
29/08/2015 às 14:57

O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) iniciou ontem, o processo de implementação do “Plano de Área Portuária de Manaus”, visando à prevenção e ao atendimento a acidentes e emergências ambientais, principalmente o derramamento de óleo no Rio Negro.

Para atender as exigências do plano, o Ibama convocou as instituições públicas ligadas à área ambiental para a primeira reunião prevista para ocorrer na próxima terça-feira (1º). As reuniões prosseguem no dia na quinta-feira (3), mas desta vez, com as empresas que utilizam a zona portuária de Manaus.



Segundo o analista ambiental e superintendente substituto do Ibama no Amazonas, Geandro Guerreiro Pantoja, o objetivo da reunião é discutir emergências ambientais e, posteriormente, implementar mecanismos de prevenção e contenção.

Enquanto as ações de precaução não saem do papel, embarcações e empresas continuam de forma obstrusa, a despejar óleo no rio. Ao longo dos últimos dois anos, marítimos e usuários do porto de São Raimundo, Zona Oeste, convivem com a poluição do Rio Negro por óleo queimado, que é despejado diariamente nas águas.

Funcionários das embarcações que ancoram no porto afirmam que boa parte do poluente é jogada pelas balsas ancoradas na margem do rio. Porém outros frequentadores do local afirmam que são os próprios proprietários das embarcações os responsáveis pela poluição que, em alguns pontos, chega a criar uma “camada flutuante” de óleo.

O problema, segundo eles, se agravou após a retirada da base de fiscalização do Batalhão de Policiamento Ambiental do porto do São Raimundo, pois a vistoria deixou de ser permanente, o que tem colaborado com as constantes irregularidades.

Especialista

O biólogo Ismael Soares Ribeiro, ressalta que durante os trajetos das embarcações parte do óleo proveniente das embarcações é jogado diretamente nas águas sem qualquer tratamento, ocorrendo assim a contaminação de quilômetros de extensão pelo contaminante.

“Essa contaminação traz muitos problemas para os ecossistemas aquáticos e causa um mega desequilíbrio ambiental para milhões de comunidades de peixes, plantas aquáticas, mamíferos aquáticos, micro-organismos presentes nos rios e até mesmo o homem”, alertou Ismael Ribeiro.

Segundo o especialista, o óleo, quando derramado, fica retido na superfície da coluna d’água, limitando a penetração de luz, tendo assim um efeito direto na disponibilidade de oxigênio existente no meio aquático.

Busca rápida

‘Projeto UPA’ visa a preservação dos riosSensibilizado com a poluição na orla do Rio Negro e pensando em uma forma de amenizar parte desse dano ambiental, o empresário Mário Jorge Santiago, expôs em fevereiro deste ano o “Projeto UPA” (Unidade Fluvial de Proteção Ambiental).

A alternativa consiste no uso de duas (balsas) equipadas e que se deslocariam diariamente por toda orla da cidade com o início na Ponta Negra e término no Porto da Ceasa, com os serviços de coleta de óleos e lixo das embarcações, bem como o fornecimento de água potável.

No projeto, o destino final dos resíduos seria as empresas de reciclagem, de acordo com a legislação vigente.

Derramamento

Um acidente envolvendo a Petrobrás mudou a vida dos moradores de um vilarejo no Mauazinho, Zona Sul. Foi em 1999, quando uma tubulação que pertencia à estatal rompeu causando derramamento de óleo nos três lagos que rodeiam a vila. Uma ação foi movida contra a empresa para ressarcimento dos prejuízos.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.