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Amazônia
MEIO AMBIENTE

Impactos causados pela hidrelétrica de Balbina são apresentados em pesquisa

Consequências ambientais causadas nos últimos 28 anos pela usina hidrelétrica é tema da pesquisa do estudante de engenharia florestal Jekiston de Souza 03/08/2017 às 23:28 - Atualizado em 04/08/2017 às 10:42
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Balbina foi construída represando o rio Uatumã, em Figueiredo. Foto: Arquivo/AC
acritica.com Manaus (AM)

Os impactos ambientais e sociais causados pelas instalações hidrelétricas causam intensas discussões há décadas. O assunto entrou em pauta, mais uma vez ontem, durante a apresentação de uma pesquisa, no VI Congresso de Iniciação Científica do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA). Desta vez o debate foi sobre os problemas provocados ao longo de 28 anos após a construção da Usina Hidrelétrica de Balbina, localizada no município de Presidente Figueiredo, município distante 130 quilômetros da capital Manaus.

A pesquisa foi desenvolvida pelo estudante de engenharia florestal e bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), Jekiston de Souza, 24, e desenvolvida ao longo de um ano na Reserva de Desenvolvimento Sustentável, localizada às margens do Rio Uatumã.


Trabalho de Jekiston de Souza analisou os impactos causadas pela usina

Segundo o estudante, o estudo tem como objetivo mostrar que os impactos causados pela hidrelétrica a médio prazo de tempo foram graves e os danos poderão ser sentidos por muitas décadas.  “Esses tipos de empreendimentos afetam na emissão de gases, conflito entre comunidades afetadas, animais e insetos perdem hábitat e uma profunda alteração no ciclo hidrológico”, disse.

Conforme o estudante pesquisador, ao longo de um ano cerca de 60 espécies de árvores mortas e vivas foram analisadas em laboratório e foi possível constatar que houve declínio do crescimento das espécies. Jekiston também disse que a barragem causou morte maciça de árvores, afetando o desenvolvimento de outras e morte de inúmeras outras.

O universitário pretende dar continuidades as pesquisas e estudos na área para identificar outros danos graves causados à população amazonense.

“A instalação da hidrelétrica causou sérios danos ecológicos de grandes proporções espaciais e temporais, pois nossa pesquisa mostra que há uma tendência para a continuidade da mortalidade dessas arvores, mesmo após 25 anos da implementação da hidrelétrica. Por exemplo, o rio era largo e após a barragem ao longo de todos esses anos estreitou, todas essas mudanças causaram sérios impactos”, explicou. 

Estudos não eram obrigatórios

Apesar dos danos ambientais serem considerados  sérios, a engenheira florestal Laura Bernardes disse que quando a Usina Hidrelétrica de Balbina foi construída não existia a obrigatoriedade dos estudos de impacto ambiental e um relatório.

“Hoje são obrigatórios para o licenciamento de atividades potencialmente poluidoras e tem como objetivo identificar os possíveis impactos ambientais decorrentes da obra e operação da atividade”, disse.

De acordo com a especialista, hoje a obrigatoriedade oferece a oportunidade de utilizar medidas e tecnologias apropriadas que diminuirão impactos negativos sobre o meio ambiente.

“Os estudos de impacto ambiental como etapa obrigatória para a concessão do licenciamento ambiental pelos órgãos competentes evitam que obras que se mostrem economicamente viáveis se tornem catastróficas do ponto de vista ambiental”.

Mau negócio

No ano passado o Greenpeace Brasil lançou um  relatório denominado  “Hidrelétricas na Amazônia: um mau negócio para o Brasil e para o mundo”. O objetivo era apresentar cenários de geração de eletricidade utilizando fontes renováveis mais limpas e menos prejudiciais, como a combinação de eólica, solar e biomassa.

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