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Instalação sonora entra em cartaz e revisita línguas indígenas extintas da América Latina

Mostra “Papapagio de Humboldt” inicia no dia 2 de fevereiro no Oi Futuro Flamengo, no Rio de Janeiro. Conforme diretor da exposição, vozes indígenas foram coletadas em cerca de 14 países 24/01/2015 às 15:31
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Diversas tribos foram visitadas para compor instalação sonora
LAYNNA FEITOZA Manaus (AM)

Assim como preservar a biodiversidade de uma nação, conservar a sua diversidade linguística é de suma importância no Brasil, País onde 85% das línguas que eram faladas em meados de 1500 estão praticamente extintas hoje. Para exibir e resguardar esse patrimônio, a instalação sonora inédita “Papagaio de Humboldt” entrará em cartaz a partir do dia 2 de fevereiro nos três andares do Oi Futuro Flamengo, localizado no Rio de Janeiro. “A exposição surge para abordar e revisitar línguas em extinção não só no Brasil, mas na América Latina”, coloca o curador da mostra, o linguista alemão Alfons Hug.

A ideia da exposição nasceu a partir da observação de Hug – diretor do Instituto Goethe – acerca do alto grau de extinção das línguas indígenas da América Latina – que tem mais de 600 idiomas ao todo. Por conta de muitas línguas terem surgido com os povos indígenas, o curador solicitou que 18 artistas das mais variadas origens se espalhassem e coletassem as vozes indígenas, em países como Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Venezuela, Paraguai, Colômbia, Equador, Guatemala, Costa Rica, Nicarágua e Panamá.

“Os artistas puderam escolher a tribo e o idioma que quisessem. No caso do Chile, por exemplo, a última pessoa a vivenciar o idioma yámana é uma senhora de quase 80 anos, onde o artista foi lá e gravou a voz dela. A maior parte deles foi a campo e a outra coletou a partir de alguns arquivos históricos. Lugares como a Argentina e a Patagônia já tem línguas extintas”, pondera ele.

Processo

A intervenção sonora se distribuirá das dependências da Oi Futuro com cada artista portando em sua frente uma caixa de som. Cerca de 550 idiomas em extinção serão escritos nas paredes. “Mas, além do efeito visual, o principal é o efeito sonoro”, coloca Alfons, explicando o porquê de tantas línguas e formas de expressão “desaparecerem” com o tempo.

“Alguns desses grupos étnicos eram muito pequenos. Inclusive no Brasil, e principalmente na Amazônia há muitas tribos isoladas, com poucas pessoas por grupos étnicos. Esses vivem o perigo de perder o próprio idioma, por conta do contato com o exterior. Alguns dos grupos étnicos são vulneráveis ao contato com a civilização”, justifica o diretor do Instituto Goethe.

Raízes

Por sua vez, há ainda idiomas bem-sucedidos, como o guarani e o aymara, que ainda tem diversos falantes em alguns países da América do Sul. E mesmo com a complexidade do português brasileiro e com a transposição da linguagem para gírias e outros termos de expressão, Alfons destaca que o Brasil é um exemplo positivo de preservação, por conta das diversas terras indígenas que cultivam a sua cultura linguística. “Na América Central a situação é mais crítica. Há poucos remanescentes”, destaca ele.

Para o curador, deveria haver uma mudança de perspectiva um pouco mais voltada para a presença humana, e não apenas para a biodiversidade. “Muitas vezes se fala da biodiversidade, da extinção de espécies ou de plantas. A mesma extinção dos idiomas com as mesmas tribos é muito mais grave. Para mim, as escolas têm falhado no processo de disseminação do interesse por essas línguas. Se fala da Amazônia, por exemplo, de sua biodiversidade, mas pouco se fala da diversidade linguística, que para mim tem valor maior”, assegura. Após sua estreia, a mostra “Papagaio de Humboldt” deve passar ainda por São Paulo, Quito (Equador), Nova York (EUA), e mais duas cidades da Alemanha.

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