Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019
governo voltou atrás

Introdução de novas espécies de peixes no AM é desnecessária, afirma especialista

Para o ecólogo do Inpa Jansen Zuanan, o potencial da região é mais que suficiente para desenvolver a psicultura



IMG0017272297.JPG Foto: Márcio Silva
02/06/2016 às 20:43

Para o ecólogo do Instituto de Proteção Ambiental da Amazônia (Inpa) Jansen Zuanan, não há necessidade de se criar peixes exóticos com a fauna de peixes locais. Ele lembra que existe cultivo de tambaqui e matrinxã no País todo a partir da tecnologia desenvolvida no Inpa, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e instituições parceiras.

“Isso prova que a gente tem capacidade de usar as espécies nativas e ser produtivo com isso”.

Depois de muitas críticas e até moção de repúdio por parte de vários órgãos e instituições ligados ao meio ambiente, nesta quinta-feira (2) o Governo do Amazonas voltou atrás e protocolou na Casa Civil um pedido de alteração imediata na Lei Ordinária 79/2016, sancionada na última segunda-feira pelo governador José Melo (Pros). O texto ‘disciplina’ a atividade de aquicultura no Estado, liberando o cultivo de espécies exóticas nos rios do Estado, com possibilidade de barramento de igarapés.

Preocupação

Jansen, que é mestre em Biologia de Água Doce e Pesca Interior, explica que a introdução de espécies exóticas pode criar inúmeros problemas para as espécies nativas.

“E também esse processo de trazer peixes de fora pode trazer junto uma série de doenças, que vão afetar todas as espécies que estão aqui potencialmente, inclusive aquelas que o produtor está trabalhando que são nativas e não estão acostumadas com aquele tipo de doença”.

Ele explica, ainda, que um dos principais alvos da piscicultura quando se fala em espécies exóticas é a tilápia, “que é um ciclídeo, mesma família do acará, tucunaré e jacundá, só que originário na África".

"A espécie em si não tem nada de ruim, é um peixe como outro qualquer. Mas quando ela é introduzida em um ambiente onde não é nativa pode simplesmente prejudicar as espécies que vivem na região, porque vai competir por espaço, alimento e, às vezes, até pode ter predação direta de ovos e filhotes de outras espécies”, diz.

Mudança no texto

Pesquisadores do Inpa também pedem que a lei seja revogada e substituída por um texto mais adequado. O órgão também assinou a moção de repúdio encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF), que pediu alteração na lei.

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