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Amazônia
questão fundiária

Invasão na nova avenida das Flores persiste mesmo após notificações e ações

São mais de 30 barracos que estão há seis meses em pé, no trecho da futura avenida, nas proximidades do conjunto Nova Cidade, Zona Norte de Manaus. Retirada já foi tentada uma vez, sem sucesso 17/06/2016 às 20:55 - Atualizado em 17/06/2016 às 23:46
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Invasores pagaram para abrir um ramal de acesso ao terreno ocupado. Ramal de acesso à invasão foi feito por trator usado na construção da avenida (Fotos: Antonio Menezes)
Isabelle Valois Manaus (AM)

Um grupo de invasores persiste em montar e remontar  barracos nas margens da área que irá se tornar a avenida das Flores, na Zona Norte de Manaus. Desta vez, são mais de 30 barracos que estão há seis meses em pé, no trecho da futura via, próximo ao supermercado DB da Nova Cidade, Zona Norte. 

Moradores de regiões próximas da invasão contaram que os invasores até pagaram para que um dos operários da obra abrisse um ramal próximo a subestação de energia Santa Etelvina para facilitar a descida dos veículos deles e os de entrega de materiais.

Os moradores da rua 197 do conjunto Nova Cidade, que fica ao lado da futura avenida das Flores, disseram que por causa da invasão e a escuridão ocasionada pela falta da iluminação pública na via, a região tem se tornado perigosa e deixado todos tensos com o cair da noite.  

“Nesta semana, alguns homens que moram na invasão passaram pela nossa rua atirando como se fosse algo mais que normal. Eles nos ameaçam, pois precisamos aceitar tudo o que for imposto por eles”, contou a autônoma *Maria da Silva, 50 (nome fictício).

A moradora disse que logo que os invasores iniciaram a construção dos barracos, muitos deixavam os carros estacionados na rua 197 e quando os moradores precisavam retirar os carros das garagens era necessário descer o barranco e procurar o proprietário do veículo que atrapalhava o tráfego. 

“Depois que explicamos que os carros estavam atrapalhando, eles (invasores) pagaram para um dos operários de máquina que estão trabalhando na construção da avenida das Flores, para que o mesmo construísse um atalho para e eles pudessem estacionar os carros próximos dos barracos e assim evitar problemas com os moradores da 197”, comentou Maria.

Após os últimos dias de chuva, o barranco cedeu e com isso não é mais possível nem descer e muito menos subir com qualquer veículo. Os moradores acreditam que outro atalho deve ser construído para facilitar a descida dos carros.

“Eles estão queimando tudo aí e, se deixarem, vão continuar construindo mais barracos. O pior que há crianças convivendo nessa situação, o local é totalmente perigoso, pois há máquinas e trabalhadores, se uma criança se agarrar em uma máquina dessa pode ocasionar um acidente até fatal”, disse a moradora.

Avenida

Os moradores informaram que nos trechos da avenida das Flores que já foram abertos, há um grande fluxo de pedestre mesmo sem infraestrutura e iluminação que isso pode gerar riscos.

A avenida das Flores é um desdobramento da avenida das Torres, com a qual vai se interligar por uma via que está sendo aberta num terreno que integrava o Parque Estadual Sumaúma, na Cidade Nova.

Semmas pediu retirada dos barracos

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) informou que  foram feitas diversas ações de notificação com prazos para a retirada dos invasores que ocupam a margem da futura avenida das Flores, na Zona Norte, mas em nenhum momento o pedido foi atendido pelos ocupantes.

A Semmas reforçou que em outras situações  foram até retirados 18 barracos em uma ação de demolição, porém após a ação, os invasores reconstruíram os barracos.

Conforme a secretaria, a invasão se encontra em uma área verde do conjunto Nova Cidade e os órgãos que integram o Grupo Integrado de Prevenção às Invasões em Áreas Públicas do Estado (Gipiap) estão aguardando a expedição de um mandato de reintegração de posse.

A Semmas informou que esse foco de invasão vem sendo combatido há tempos e  os órgãos que compõem o Gipiap estão empenhados em impedir que a ocupação se consolide.

Área está exposta

Em setembro de 2015, o A CRÍTICA publicou uma invasão nas margens da área que irá se tornar avenida das Flores, mas nas proximidades do conjunto Cidadão 12, Zona Norte. Enquanto construíam os barracos, os invasores queimavam lixo e cometiam crimes ambientais para aumentar a área invadida. Na época havia a presença de mercadinhos e igrejas.
 

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