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Amazônia
zona norte

No bairro Santa Etelvina, invasão em terreno do Viver Melhor segue desmatando

Terreno destinado a ser uma das áreas comuns do Residencial Viver Melhor já abriga mais de 300 barracos 03/05/2016 às 10:57
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Invasores contam com a lentidão do poder público par consolidar a ocupação do terreno ao lado do residencial (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Isabelle Valois Manaus (AM)

Cada vez mais cresce a invasão da área verde nas proximidades da segunda etapa do Conjunto Residencial Viver Melhor, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte. São aproximadamente 300 barracos que foram contruídos entre troncos de arvores derrubados. De acordo com os moradores, a invasão está próximo de completar um ano e até o momento nada foi feito para realizar a retirada dos barracos. Ultimamente a área tem sido dominada pelo tráfico de drogas.

“Essa invasão é toda organizada. Quando há alguma movimentação de fiscais ou até mesmo da imprensa, os cabeças que até o momento não sabemos quem é, ordena que a área seja monitorada. Eles usam até drones para fiscalizar a área e ameaçam os moradores caso alguém tente  denunciar. Aqui virou terra sem lei”, disse o autônomo Gilberto Silva*, 37, morador do Viver Melhor.

Conforme o morador, há uma mulher identificada como “Fabíola” que tem coordenado a venda dos lotes da área que era de preservação. “Ouvi uns comentários que tem lotes que em média foram vendidos por R$ 500, mas esses são os que ficam mais no meio do barrando, que chega até ser perigoso, agora há outros terrenos que ela chegou a cobrar até R$ 2 mil e garantiu que ninguém será retirado da área onde está a invasão”, contou. 

Gilberto comentou que alguns dos moradores são até parentes de moradores do próprio residêncial e outros vieram dar continuidade da invasão que ficou conhecida como Comunidade Nobre que fica nas proximidades do conjunto. “Mas, a ocupação pelo tráfico de drogas foi recente e há gente que anda até armado, uma forma de reforçar as ameaças verbais. Quando não estão armados, eles estão andando com faca, ou com os terçados e não ligam se há crianças nas proximidades ou não”, informou.

Assim como Gilberto, outro morador do conjunto, Sebastião Silva*, 48, disse que há um ano esta área invadida era totalmente rodeada de várias espécies de árvores. “No final da tarde, além de apreciar os pássaros, também vínhamos vários binhos, tipo macacos, tudo vivam nesta área e hoje não existe quase nada. Foi totalmente depredada e quase um ano a situação não muda. Somos ameaçados, eles dominam a área e nada é feito. Vivemos a mercê da violência”, comentou o morador. 

*Nomes fictícios para preservar a integridade da fonte. 

Área tem três proprietários

A área invadida nas proximidades do residencial Viver Melhor segunda etapa  pertence  tanto a Prefeitura de Manaus quanto ao Governo do Estado. Uma parte menor é  de propriedade particular. De acordo com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Semma), no caso da área de responsabilidade do governo, foram criadas as diretrizes e o Instituto de de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) tem a responsabilidade de fiscalizar, procurar os responsáveis pela ilegalidade e emitir as multas e todo o procedimento cabível para recuperar a área.

Porém, o Ipaam informou que nesses casos de invasão, só começa a atuar quando a questão judicial  é resolvida e ocorre a retirada das pessoas do local. Após a saída dos supostos invasores, é que o órgão vai verificar a área, os prejuízos ambientais e a apuração dos responsáveis.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) informou que os órgãos que integram o Grupo Integrado de Prevenção às Invasões em Áreas Públicas no Estado do Amazonas (Gipiap) aguardam o resultado do julgamento da ação de reintegração de posse, impetrada na Justiça amazonense pelo proprietário da área ocupada, para posteriormente efetivar a retirada dos casebres. A Semmas disse que ontem, uma equipe de fiscais esteve na área juntamente com a Polícia Militar para monitorar a situação. Além de area particular,  a ocupação também afetou áreas públicas do Estado e uma área verde do município.

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