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Invasões avançam devastação em áreas verdes do Amazonas

O cenário de destruição é uma das ‘heranças’ das ocupações irregulares de terra, da Zona Norte à Leste da capital 29/09/2014 às 10:39
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No bairro do Jorge Teixeira 4, em uma área conhecida como ramal do Alfazema, terreno de 59,1 mil metros quadrados pertencente à Suframa foi desmatado e loteado
Camila Leonel ---

Lixo, pedaços de troncos de árvores, fumaça produzida pelas fogueiras que servem para queimar o refugo da construção dos barracos ou queimar as árvores que foram derrubadas para a limpeza do terreno. Esse é o cenário que se vê em invasões na Travessa 18, no bairro Lago Azul, Zona Norte e na região conhecida como ramal do Alfazema, no bairro Jorge Teixeira 4, na Zona Leste.

Os terrenos, que antes eram áreas verdes, se transformaram em canteiros de obras de barracos de compensado e alvenaria.

De acordo com o morador do Condomínio Liberdade, que fica próximo à invasão, Mauro Neeley, o terreno era uma área verde, com plantas nativas e animais. Segundo ele, era possível ver preguiças, macacos, aves e outros animais. Neeley contou também que, há duas semanas, começou a ouvir barulhos de motosserras derrubando as árvores. Ele relatou que está preocupado com a fauna e flora que estão sendo destruídas. “Precisamos saber o que é mais importante, deixar esse povo desmatando e matando os animais, ou ficar de olhos fechados com o que está acontecendo. Destruir fauna e flora é crime”, declarou.

Joelma Garcia, que mora na Travessa 18, conta que a invasão começou há seis meses e que todo dia chegam pessoas diferentes no local.

Desconfiança

No terreno invadido, o clima é de desconfiança entre as pessoas que ocupam a área. Entre eles está o autônomo Paulo, 39, que chegou ao local no dia 14 junto com a esposa e comprou o terreno de 8x20 por mil reais. Ele está construindo uma casa de compensado, mas ainda não mora no local. Ele e a esposa vão à casa todos os dias de manhã e à tarde para vigiar o terreno. À noite, o casal retorna para a casa alugada onde mora, no bairro do São Jorge. “Tenho medo que mexam com a gente e que façam alguma coisa com a minha mulher”.

Paulo disse que alguns moradores já reclamaram da presença deles no terreno e que tem receio de investir na casa. “Estou precisando fazer a casa, mas estou com medo de não dar certo porque, se sair todo mundo, eu vou ter que sair também e vou perder o meu dinheiro”, contou.

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