Domingo, 27 de Setembro de 2020
Meio Ambiente

Investidores ameaçam encerrar financiamento no Brasil por causa do desmatamento

Alerta dos investidores sobre a imagem atual do Brasil sobre a questão ambiental, que também preocupa a equipe econômica, refletiu no poder público estadual



floresta_481A0876-38D7-4C14-BA52-532DC8862517.JPG Carregamento ilegal de madeira foi apreendido pela polícia. Fotos: Ricardo Oliveira/AFP
24/07/2020 às 06:23

Investidores brasileiros e internacionais têm reivindicado e cobrado esforços efetivos do Governo Federal para conter o avanço do desmatamento na Região Norte do Brasil. A questão se reveste de ainda mais polêmica tendo em vista que isso pode implicar na saída de investimento estrangeiro na região amazônica.

A ameaça acendeu o sinal amarelo no Governo Jair Bolsonaro, que parece já querer mudar o discurso: a equipe econômica está preocupada com a imagem negativa e, à frente do Conselho da Amazônia, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, buscou amenizar o momento negativo e manifestou a intenção de diminuir desmatamentos e incêndios no Norte sem, no entanto, mostrar um plano de ação.



O alerta dos investidores sobre a imagem atual do Brasil sobre a questão ambiental, que também preocupa a equipe econômica, refletiu no poder público estadual.

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema)  por exemplo, informou para a reportagem de A CRÍTICA que conta com “pleno apoio das instituições federais no Amazonas, como o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O órgão ressaltou, em nota oficial enviada para A CRÍTICA, “a importância de manter o diálogo com investidores estrangeiros, uma vez que os recursos são determinantes para o prosseguimento de projetos voltados à conservação da Amazônia e combate à degradação florestal na região”.

“O Governo do Amazonas reitera também o compromisso do Estado com o desenvolvimento sustentável da região e que não tem medido esforços para encontrar um equilíbrio entre o progresso econômico e a conservação da floresta”, divulgou a Sema na nota.

IPAAM

Sobre as ameaças e críticas dos investidores estrangeiros, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), por meio do seu diretor-presidente, Juliano Valente, 

Informou que “por ser um debate de âmbito federal, o Ipaam não irá se pronunciar”.

Sobre  o que está sendo feito pelo órgão para reduzir ainda mais o problema do desmatamento, o Instituto divulgou que participa de ações de combate a crimes ambientais juntamente com o Exército Brasileiro, Ibama, Política Federal e Militar e demais órgãos ambientais e de segurança por meio da Operação Curuquetê 2/Verde Brasil 2.

Os comandos de Policiamento Ambiental (CPAmb) e com Cães (CIPCães) apreenderam na manhã de ontem 900 toras de madeira, uma embarcação de grande porte, uma espingarda calibre 16, uma pá carregadeira, detiveram três suspeitos e interditaram uma serraria que atuava em situação irregular.

A ação dos militares que durou mais de 27 horas é resultado da operação  “Hórus”.

Estado é o que menos desmata

Ao passo  que o desmatamento cresce na região, o Amazonas é um dos Estados que menos desmata comparado com Pará e Mato Grosso, os “líderes” num triste ranking.

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente salienta que, conforme dados de alertas de desmatamento emitidos para a Amazônia Legal, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Pará  lidera com 1.212 km² em alertas de área desmatada emitidos no primeiro semestre de 2020, seguido por Mato Grosso (715 km²) e pelo Amazonas (538,46 km²).

Em junho, após as medidas de combate adotadas pelo Governo do Amazonas, a Sema informa que o Estado conseguiu reduzir a quantidade de alertas de desmatamento em 12%, com relação ao mesmo mês de 2019.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) publicou, no Diário Oficial da União de hoje (23) uma portaria que autoriza o emprego da Força Nacional no estado do Amazonas, em “ações de combate ao crime organizado, ao narcotráfico e aos crimes ambientais, na calha dos Rios Negro e Solimões”.

Amazonas  firme   na preservação

O Governo do Amazonas decretou, no último dia 21 de maio, situação de emergência ambiental, antecipando o plano operativo de combate ao desmatamento ilegal e às queimadas, sobretudo em municípios do Sul do estado e na Região Metropolitana de Manaus.

Além disso, o Estado aderiu à Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que permitiu o emprego das Forças Armadas em ações integradas aos órgãos de proteção ambiental e do Sistema de Segurança Pública do Estado.

Neste sentido, estão em curso no Amazonas as Operações Curuquetê 2, Verde Brasil 2 e a Força-tarefa General Rodrigo Octávio - este último com emprego do Exército Brasileiro em ações focadas na RMM.

Além das ações de comando e controle, o Governo do Estado, por meio da Sema, lançou em junho deste ano o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas (PPCDQ-AM), para orientar a governança ambiental do Amazonas até 2022, incluindo também ações de ordenamento territorial e incentivo à bioeconomia.

O objetivo é promover soluções estratégicas para antigos gargalos diretamente associados às dinâmicas de desmatamento e queimadas na região.

Semana passada o governador do Amazonas, Wilson Lima participou de reunião, por videoconferência, com vice-presidente da República, o general Hamilton Mourão, que também é coordenador do Conselho da Amazônia, onde apresentou as demandas para manter o trabalho de prevenção e monitoramento do desmatamento e das queimadas.

Repórter de A Crítica

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