Segunda-feira, 24 de Junho de 2019
Amazônia

Jaraqui pode ser produzido em cativeiro a baixo custo

Pesquisador constatou que o jaraqui não só tem potencial para a psicultura comercial como também para a de subsistência



1.jpg Pesquisador Simón Ramos defende que esse metódo também é mais nocivo ao meio ambiente devido a quantidade de fertilizantes que vão parar na água
03/05/2015 às 11:54

Um dos peixes mais populares do Amazonas, o jaraqui pode ser produzido em cativeiro e a baixo custo. A ideia do pesquisador em Ciências Pesqueiras, Simón Alexis Ramos, que durante quatro meses analisou o desenvolvimento da espécie em tanques da Estação de Psicultura de Balbina, em Presidente Figueiredo (107 km de Manaus), constatou que o pescado não só tem potencial para a psicultura comercial como para a de subsistência.

Tema de sua tese de Doutorado, defendida no mês passado, Ramos trouxe para o Brasil uma técnica que pode deixar essa produção mais simples e barata: utilizando substratos naturais para a formação de lodo ou limo que vão servir de alimentação para a espécie. “É uma alternativa principalmente para o pequeno produtor que não tem condições de manter viveiros a base de ração, que é muito cara”, destacou o pesquisador.

De acordo com Simón Ramos, a técnica é utilizada principalmente na Ásia, mas no Brasil, o método é novo e precisa ser aprimorado. Para ele, a técnica pode ser utilizada principalmente no período do defeso, quando muitas espécies ficam restritas para a pesca. “Durante a cheia, fica mais difícil pescar porque os peixes estão mais dispersos e as pessoas passam necessidade”, disse ele.

“A pesca predatório está aumentando cada vez mais e ninguém garante que daqui há 30 anos ainda vai existir o jaraqui porque ele está sendo pescado cada vez menor”, acrescentou. Atualmente, apenas as espécies como o tambaqui, matrinxã, curimatá e a pirapitinga são criadas em cativeiro no estado.

Tecnologia limpa

O pesquisador afirma que não é contra o cultivo tradicional, em que as rações são as mais utilizadas para a alimentação do pescado, como o tambaqui. Mas ele defende que esse método também é mais nocivo ao meio ambiente devido a quantidade de fertilizantes que vão parar na água, comprometendo a sua qualidade.

Já na sua proposta, além de utilizar substratos naturais, os lodos que se formam, podem desenvolver uma qualidade nutritiva ainda melhor e mais saudável para o animal. “Um substrato pode ser um galho de uma árvore, uma planta, mas ainda precisamos aprimorar os estudos para encontrar o melhor substrato que, consequentemente, vai oferecer uma alimentação mais nutritiva ao pescado”, explicou, garantindo que essa metodologia é mais limpa, ecológica e menos danosa para o meio ambiente. Embora o pesquisador acredite na rentabilidade do projeto, nenhuma pesquisa econômica foi realizada.

Produção

Segundo a Secretaria de Produção Rural (Sepror), apenas o tambaqui, a pirapintinga, o curimatá e o matrinxã são produzidas em cativeiro, no Amazonas. Os principais polos pesqueiros do estado estão localizados em Manaus, na Região Metropolitana e no sul do estado, principalmente em Canutama e Humaitá, onde a criação de peixes experimenta o crescimento da atividade e a consolidação da cadeia, segundo o chefe do departamento de Pesca e Aquicultura da Secretaria Executiva de Pesca (Sepa), Ivo Calado.


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