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Amazônia
ajuda em boa hora

Líder comunitário conta como a estiagem deixou ribeirinhos desesperados em Barcelos

'Há 30 anos, não passamos por situações tão preocupantes como esta. Sem matéria-prima não há produto, sem produto não há renda, sem a renda não conseguimos alimentos e outros benefícios' 15/04/2016 às 13:09 - Atualizado em 16/04/2016 às 09:59
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Alberto Peres (camisa listrada) recebe as chaves do barco que ajudará 2,5 mil produtores rurais de Barcelos (Euzivaldo Queiroz)
Isabelle Valois Manaus (AM)

Se passaram 15 dias de abril, a metade do mês estipulado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) para o término da estiagem nos quatro municípios que foram atingidos, mas a situação continua delicada neles. No caso das comunidades mais próximas de Barcelos (a 405 quilômetros de Manaus), que permanece em Situação de Emergência, boa parte da produção está tombada no aguardo de ajuda e também da subida das águas.

Assim, explicou o presidente da Cooperativa dos Agroextrativistas dos Povos Tradicionais do Médio Rio Negro (Comagept), Alberto Peres, quando recebeu as chaves do barco do programa Território Rio Negro da Cidadania Indígena, idealizado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Conforme Peres, o transporte das mercadorias produzidas nessas comunidades, como piaçaba, cipó, castanha, camu-camu, entre outros, foi totalmente dificultado nos últimos meses devido a forte estiagem.

“Há 30 anos, não passamos por situações tão preocupantes como esta que ocorreu na estiagem. Estamos rezando para que passe logo e que o governo não nos esqueça, pois a dificuldade é constante. Sem matéria-prima não há produto, sem produto não há renda, sem a renda não conseguimos alimentos e outros benefícios”, comentou.

Peres contou que foi necessário tombar as mercadorias nas comunidades para evitar o prejuízo ou até mesmo a perda deste material. Outro transtorno apontado pelo presidente é as dificuldade de locomoção dos doentes. “Se alguém fica doente na comunidade, precisamos até de ajuda de terceiros para carregá-los em boa parte do caminho até que se consiga um transporte, é difícil essa realidade”, disse.

O Barco

A meta é de que pelo menos 2,5 mil pessoas sejam beneficiadas com a entrega do barco pelo Governo do Estado e MDA. Durante a solenidade de repasse das chaves para o presidente da Comagept, o diretor-presidente da Fundação Estadual do Índio (FEI), Bonifácio José Boniwa, explicou que a ideia desses projetos realmente são voltados para fortalecer a cadeia produtiva das comunidades ribeirinhas do rio Negro. Para ele, o transporte veio no momento certo, quando há casos tem recentes ocasionados com a estiagem.

Defesa Civil avalia o Alto Solimões

Agentes da Defesa Civil do Amazonas estão percorrendo o Ato Solimões para realizar uma avaliação técnica do cenário de cheia. A região está em situação de alerta desde quatro de abril e ultrapassou a cota média em 31 centímetros.“Mesmo que o município não esteja em emergência, é um procedimento padrão a avaliação técnica no local, para traçarmos junto com os coordenadores municipais, as medidas preventivas e as de socorro, que poderão ser adotadas em caso de desastre natural”, enfatizou o secretário do órgão, Fernando Pires Junior.

Uma reunião foi realizada, quarta-feira, em Atalaia do Norte, com os coordenadores dos municípios do Alto Solimões. Os técnicos da Defesa Civil do Estado cobraram o plano de contingência das prefeituras, que deve conter informações como, comunidades vulneráveis, possíveis danos humanos e materiais e como o Governo do Estado pode contribuir para minimizar o desastre.

De acordo com o Centro de Monitoramento Ambiental da Defesa Civil AM, a cota de alerta na região é de 11,80 m e hoje está em 12,11 m, ultrapassando 31 centímetros da média.

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