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Lixões são ameaça para o tráfego de aeronaves no AM

Além da capital, vários municípios são considerados de alto risco para a aviação. Ipaam faz campanha para redução de riscos 18/06/2013 às 09:22
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Em 2012, foram registrados 120 incidentes, sendo que alguns chegaram a causar sérios danos em aeronaves e por pouco não houve acidentes
Ana Celia Ossame Manaus, AM

De 1º de janeiro a 17 de maio deste ano, já foram contabilizados 54 ocorrências de choques de aves com aeronaves, sendo a maioria urubus presentes em lixões ou áreas de acúmulo de dejetos na capital amazonense. No ano passado, foram nada menos que 120 incidentes, alguns causando danos importantes em aeronaves e por pouco não causando acidentes. Para tentar reduzir esses números e melhorar as condições dos ambientes próximos a aeroportos, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) está realizando a Campanha Estadual de Redução do Perigo Aviário nos municípios onde há grande população de urubus, informou a assessoria do órgão do Governo do Estado.

Dos municípios amazonenses, a capital é a que apresenta mais riscos de choques com aves. Dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos (Cenipa) dão conta de que, no ano passado, Manaus teve 35 registros de choques com aves, vindo em seguida o Município de Tabatinga (a 1.105 quilômetros) com quatro acidentes e depois Tefé (a 525 quilômetros), com dois.

Para o capitão, o trabalho de conscientização sobre o descarte de lixo em áreas próximas de aeroportos é de fundamental importância para a segurança da aviação, disse o capitão Daniel Barbosa Amâncio, chefe da Seção de Prevenção da Seripa VII. Apesar de ser um problema comum em todo o País, ele diz que em alguns municípios os riscos são maiores dada a forma como o lixo é descartado.

Parintins

Entre os aeroportos que mais despertam os cuidados estão Júlio Belém, do Município de Parintins (a 325 quilômetros), que estava fechado desde agosto de 2010 pela Agência Nacional de Aviação (Anac)  por conta do risco de colisões por causa de urubus e só havia permissão para voos noturnos. Por decisão liminar do juiz da 7ª Vara Criminal, Dimis da Costa Braga, a reabertura do local aconteceu no último dia 25 de abril. Mas a Anac faz fiscalização permanente para definir se o aeroporto tem condições de continuar operando em período integral.

Ontem, técnicos de educação ambiental do Ipaam chegaram a Coari (a 370 quilômetros) para o lançamento da campanha e vão permanecer lá até o dia 22 de junho. Coari é o quinto município a receber a campanha, do Governo do Estado, cujo lançamento aconteceu em Carauari, Parintins e Tabatinga. Idealizada pelo presidente do Ipaam, Antônio Ademir Stroski, a partir de sua experiênci a em resíduos sólidos e de suas viagens ao interior do Estado, ele reforça o papel do órgão  para orientar as prefeituras quanto aos procedimentos de remediação dos lixões, destacando a importância a segurança da aviação.

Acidentes

Dos 120 registros de acidentes entre fauna e aeronaves feitos no ano passado, no Amazonas,  75 envolveram aves e desses, 56 foram com urubus, seis com pássaros como  andorinha, dois com maçarico, dois com carcará, quatro com  suiriri, um com quero-quero, quatro com gavião, um com passeriforme e um com falcão. Já este ano, das 54 ocorrências  de choque de animais com aeronaves, feitas pelo Seripa,  26 envolveram aves, entre as quais 20 urubus, quatro gaviões, um bacurau e um carcará. Há registros de acidentes por conta da presença de animais como vacas e cavalos, entre outros.

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Josemar Gurgel, secretário de Meio Ambiente de Coari

“No município de Coari há problemas com a presença de urubus numa área que abrange a segurança da aviação local.  Por isso estamos desenvolvendo uma campanha progressiva e intensa para proteger o Lago de Coari, em cuja região há problemas com a presença de urubus devido a grande quantidade de lixo no local, explicou ele, que é professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).  “A presença do Ipaam no município soma-se à campanha “Coari Recicla”, destinada a implantar a coleta seletiva de lixo na cidade. Vamos começar progressivamente, atingir a universalidade da coleta, cumprindo a lei de resíduos sóligos, galpão de triagem e depois em Manaus, agora não existe cooperativa de catadores, não sendo possível, vamos partir para criação de uma usina para gestão melhor dos resíduos e venda e destinação destes resíduos”.

Em números

1.604 colisões de aviões com aves foram registradas em 2012 em todo o País pelo Cenipa. Houve 64 colisões com outros animais.  e 1.805 avistamentos de aves, ou seja, os pilotos registraram a presença delas na área dos aeroportos, indicando o risco para as manobras. Houve 309 quase colisões, ou seja, foram evitadas pelos próprios pilotos.

Nove municípios têm mais riscos

Nove municípios, entre os quais Barcelos, Humaitá, Lábrea, Eirunepé, Borba, Manicoré, Fonte Boa, Santa Isabel do Rio Negro e Maués, onde resíduos e urubus podem representar grande risco de acidentes aéreos e cujos aeroportos operam ou já operaram com restrições por causa do perigo aviário, também receberão os trabalhos dos técnicos do Ipaam.

Por esse motivo, a campanha para redução do perigo de acidente aéreo está sendo executada em parceria com as prefeituras e suas secretarias de meio ambiente, informa o Ipaam, pois são os órgãos municipais que darão continuidade às abordagens em residências, repartições públicas e pontos críticos como feiras, açougues, bancas de churrasco e pequenos comércios que trabalham com alimentos perecíveis, após treinamento teórico e prático ministrado pelo Ipaam na semana em que os quatro técnicos ficam no município.

Em Carauari, os técnicos locais pretendem atingir 25 mil pessoas no município até dezembro. Em Tefé, a meta é que a campanha alcance 50 mil pessoas. Parintins, colocou a meta de atingir 100 mil pessoas por ser um município com maior população e por estar enfrentando restrições de funcionamento do aeroporto Júlio Belém nesses últimos dois anos.

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