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Amazônia
Meio Ambiente

Má qualidade da água é reflexo da má gestão de recursos, afirma especialista

Evento discutiu temas centrais e como o uso da água vem sendo conduzido no Estado. Especialista elencou locais onde situação é crítica e alerta para necessidade de conscientização 06/03/2018 às 06:59 - Atualizado em 06/03/2018 às 13:59
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Fotos: Jair Araújo
Paulo André Nunes Manaus (AM)

A má qualidade da água é um problema da região amazônica que passa, como um todo, pela questão da má gestão dos recursos hídricos. A afirmação é do professor de Geociências, Naziano Filizola, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ontem, durante o Seminário Gestão de Recursos Hídricos do Amazonas que foi organizado pelo Observatório da Região Metropolitana de Manaus (ORMM). O evento discutiu temas centrais e como o uso da água vem sendo conduzido no Estado, além de propor mudanças necessárias para se alcançar uma gestão participativa e inovadora.

“O problema todo é mais uma questão mais de gestão. Precisamos de ter uma política que oriente como que vamos tratar dos nossos igarapés, de que forma os usuários, sejam eles maiores ou menores, empresas ou cidadão comum, de que forma eles estão lidando com esse ambiente, com os igarapés, da forma que a água é usada, dos esgotos, que é jogada mais in natura nos igarapés... então, tudo isso compromete os igarapés e a qualidade da água”, analisa o especialista.

Naziano Filizola apresentou, num contexto geral, a situação da bacia amazônica. “Temos trabalhado nessa linha de estudar os rios da Amazônia há 25 anos mais ou menos. E os resultados que eu mostrei foram de vários estudos não só meus, mas de vários outros colegas também”, conta o especialista, que alerta para a necessidade da conscientização ambiental da população. 

“As pessoas, de uma forma geral, têm um problema de falta de conscientização em como lidar com o meio ambiente, e é importante de pensarmos que isso é um recurso que nos foi dado e que não podemos viver pensando que isso é eterno, e fazendo dele como bem entendermos sem ter um nível de consciência e capacidade de uso. Tem que saber como usar. É um pouco nessa linha que temos procurado conversar, e que é um dever do Estado constituído, seja Governo do Estado ou Prefeitura de Manaus ou União, cuidar disso. Mas, antes de tudo, é um dever do cidadão de começar a olhar pra isso, de participar do processo político de tomada de decisão em relação ao que deve ser feito com os seus igarapés, rios, as bacias todas”, completa ele. 

Naziano Filizola disse não ter como afirmar qual é hoje, na capital metropolitana, a área com mais efeitos de degradação, mas conta que está trabalhando em alguns pontos que são bens críticos em Manaus. “Um deles é o igarapé do Quarenta, onde há um trecho que até foi ‘mexido’ durante o Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim) e que está bastante crítico. Outro igarapé é do Mindú, que tem muitos problemas em termos de qualidade. Há vários pontos em Manaus, e o difícil é dizer qual deles que está em uma situação pior do que outro”, salienta ele.

Abundância gerou falsa impressão

 A quantidade imensa  de água existente na região gera a falsa impressão de que o líquido preciso nunca vai faltar. O deputado estadual Luiz Castro (Rede), presidente da Comissão do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CAAMA) e um dos presentes ao seminário de ontem, alertou para a questão. 

“A abundância da nossa bacia fez com que achemos que nunca vai faltar água e que sempre teremos água de qualidade e oferta. É quase um imaginário coletivo se cuidar de outros problemas e esquecer das águas. E nesse esquecimento as águas ficam poluídas. Manaus é um triste exemplo e todos os erros cometidos em outros Estados, como São Paulo e Rio, são repetidos aqui quando hoje temos um domínio tecnológico e científico muito maior que no passado”.

O deputado afirmou que a mã gestão dos recursos tem participação para o status atual de degradação, mas que a sociedade em geral deveria ser mais participativa. 

Especialista integrou a ONU

Nem todos sabem, mas o professor Naziano Filizola integrou a Comissão de Hidrologia da Organização Meteorológica Mundial da ONU.

“Tínhamos a função de construir documentos que pudessem servir de referência aos países membros para desenvolverem as suas práticas mais técnicas do que propriamente políticas voltadas à questão da água”, disse Filizola.

Blog
Artur Sgambatti, secretário executivo da ORMM e FVA 

Temos a realidade de viver na maior bacia hidrográfica do mundo. Só que, apesar de termos bastante água, ela é de má qualidade em muitas cidades, ainda mais no rio Solimões, onde não se pode bebê-la pois é muito barrenta.  Aqui no rio Negro é uma questão mais tranquila, no entanto,  necessita de tratamento. É preocupante pois realmente temos o exemplo do resto do Brasil e do mundo que está se complicando por causa dessa questão da água. E temos um futuro próximo de ocupação maior no Estado como um todo. Esse seminário vem no sentido de nos planejarmos de forma visionária e pioneira na questão hídrica. Locais como o Tarumã podem ser planejados com a união do governo com toda a sociedade civil”

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