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Amazônia
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Região Amazônica terá mais calor e menos chuva até 2040, dizem especialistas

Estudioso afirmo que, no futuro, os impactos podem ser severos na saúde e na segurança alimentar 04/05/2016 às 00:06 - Atualizado em 04/05/2016 às 10:05
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Pesquisadores da FioCruz, equipe da Sema e de outras secretarias discutiram propostas para minimizar o impacto climático (SEMA)
Isabelle Valois Manaus (AM)

O Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, projeta que até 2040 haverá mais calor e menos chuva na Região Amazônica, ocasionando aumento de 1°C na temperatura, com isso, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Minas), responsáveis para avaliar a vulnerabilidade à mudança climática no Amazonas, se reuniram na manhã desta terça-feira (3) com a equipe da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), além de outras secretarias envolvidas com o tema, para apresentar uma proposta para minimizar os impactos.

Conforme a doutoranda em saúde coletiva da FioCruz Minas, Julia Menezes, que foi responsável por apresentar a proposta de pesquisa, disse que é possível que a mudança climática também tenha impactado no fenômeno da subida e descidas das águas, principalmente quando se trata nas grandes cheias e das estiagens contínuas.

“É difícil determinar os impactos das mudanças climáticas ou dar uma certeza absoluta porque em tudo sempre há uma margem de erro. Mas, de qualquer forma, essas mudanças climáticas tem nos apresentado alguns dados bem mais presente no cotidiano. No caso do Amazonas, as secas têm estado mais presente e as inundações se tornaram um fenômeno mais comum de algumas décadas pra cá”, reforçou a pesquisadora.

Menezes informou que a preocupação maior está com a vulnerabilidade humana. “Com a ocorrência pertinente desses fenômenos como é o caso principalmente da presença constante das grandes cheias e também das grandes vazantes, precisamos focar na vulnerabilidade humana. Com essa mudança do clima, podemos no futuro ter muitos impactos severos como na saúde e na segurança alimentar. As pessoas podem ter menos acesso aos meios de subsistência como é o caso da população ribeirinha que estão dispostas a ter um número maior de doenças e pode haver maior mortalidade, pois a população pode ter menos meio de adaptação com esses fenômenos”, disse.

Projeto

Para que possa ser construído ações que ajudem a minimizar os impactos, os pesquisadores criaram um software chamado: Sistema de Vulnerabilidade Climático (Sis VuClima) que está sendo implantado em pelo menos cinco estados, entre eles o Amazonas. A ideia é que o sistema seja apresentado em agosto para as entidades envolvidas no projeto para que possam ajudar a alimentar o sistema e com isso, ter realmente uma clareza da vulnerabilidade de todo o Estado.

Doenças que colocam em risco a saúde

A preocurpação dos pesquisadores da FioCruz Minas é totalmente direcionado para as populações de risco do Estado. De acordo com os dados, no Amazonasas doenças em evidências são a leishmaniose, leptospirose, dengue e malária. Mas, outro foco que também preocupa os pesquisadores é a disponibilidade do contato com animais peçonhentos, como é o caso de serpentes, aranhas e escorpiões. “É preciso também focar nessa vulnerabilidade da região. Precisamos conhecer essa realidade e entender todo este processo, para realizarmos o cenário. Precisamos entender as doenças que realmente colocam a população em risco e com o software vamos ter todas essas informações e assim poder evitar um impacto maior em 2040 até 2070 quando é previsto a continuidade das mudanças climáticas”, explicou a pesquisadora da FioCruz Minas, Carina Margonari. 

AM faz parte do projeto

Após a divulgação do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, o Ministério do Meio Ambiente solicitou que a FioCruz criasse um projeto que pudesse minimizar os impactos relacionados à mudança do clima. O Amazonas está entre os cinco estados que irão fazer parte do início do projeto.

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