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Amazônia
Cotidiano, Meio Ambiente, Aves, Reserva Mamirauá, Instituto Mamirauá, Tefé

Mais de 1.100 aves são submetidas a estudo no interior do Amazonas

As 1.145 espécies capturadas e anilhadas pelo Instituto Mamirauá, no período de agosto a novembro do ano passado, foram devolvidas à natureza, após os trabalhos  08/02/2013 às 10:59
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Espécies como corta-água e trinta-reis foram capturadas e anilhadas para o estudo
acritica.com Manaus

A campanha de captura de aves na Reserva Mamirauá, promovida pelo Instituto Mamirauá, por meio do Grupo de Pesquisa em Ecologia de Vertebrados Terrestres, capturou e anilhou 1.145 espécies em 2012, entre os meses de agosto e novembro.

"O anilhamento das aves de praia resultou em indivíduos marcados com anilhas, sendo 10 adultos e 540 filhotes de trinta-réis-grande, e 269 adultos e 326 filhotes de corta-água. A maioria dos indivíduos adultos teve os dados biométricos mensurados", afirmou a bióloga Bianca Bernardon, responsável pela pesquisa.

As capturas ocorreram em 52 dias e foram desenvolvidas na Praia do Meio, próxima da comunidade Novo Horizonte, que fica 3 horas distante de Tefé. Após a captura e anilhamento as aves foram devolvidas à natureza.

Segundo Bianca, os resultados foram bem positivos, pois foram anilhadas quase 350 aves além da meta inicial de 800 indivíduos.

"A partir de agora, vamos monitorar essas aves capturadas em vários pontos dos rios Solimões e Japurá, realizando capturas com redes de neblina e lunetas para identificar aves anilhadas, que também serão fotografadas", afirmou a pesquisadora, acrescentando que as comunidades serão visitadas para explicar o trabalho e ressaltar a importância dos moradores darem informações se encontrarem aves anilhadas.

Além das capturas, o projeto também está desenvolvendo atividades de pesquisa sobre as aves que se alimentam nos plantios de agricultores da Reserva Amanã.

As principais aves citadas por eles foram papagaio-da-várzea, urubu, araçari, tucano, arara, maracanã, curica, periquito, graúna, cujubim e jacu. Métodos utilizados para evitar os ataques estão sendo pesquisados.

"Este estudo será finalizado nos próximos meses e, em julho, as atividades com as aves de praia serão retomadas em mais três praias ao longo do médio rio Solimões e baixo Japurá", planejou.

O objetivo da pesquisa é conhecer a rota migratória e a reprodução das aves para identificar áreas prioritárias para a conservação, pois os locais utilizados para reprodução e descanso poderão ser conhecidos a partir deste estudo.

"Temos visto até agora que as únicas praias utilizadas pelas aves para construir seus ninhos são as praias protegidas pelos agentes ambientais voluntários, capacitados pelo Instituto Mamirauá. Sendo assim temos a intenção de propor práticas que auxiliem na preservação destes importantes ambientes para nidificação das aves migratórias", concluiu.

Plano de Ação
Em 2012, o Instituto Mamirauá passou a integrar um grupo coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para realização do Plano de Ação Nacional para a Conservação das Aves da Amazônia.

Uma oficina foi promovida entre os dias 29 de outubro a 1º de novembro, na Floresta Nacional de Ipanema, em Iperó (SP). 

A pesquisadora integrou o grupo que discutiu principalmente sobre as aves de várzea. A oficina gerou um documento, que menciona uma avaliação do estado de conservação das aves e uma lista com 48 espécies de aves amazônicas ameaçadas.

As principais ameaças identificadas foram a implantação de hidrelétricas, além do desmatamento, que afeta 76% das espécies ameaçadas.

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