Sábado, 24 de Outubro de 2020
Amazônia

Mais de 200 famílias de RESEX do Médio Purus estão desabrigadas

Os extrativistas estão desabrigados devido ao aumento do nível do rio que tem alagado casas, escolas e postos de saúde dos municípios e comunidades ribeirinhas



1.jpg Posto de Saúde na comunidade da Vila do Acimã em Lábrea
29/02/2012 às 19:16

Há duas semanas os habitantes dos municípios Pauini (a 923 quilômetros de Manaus) e Lábrea (702 quilômetros) sofrem com as cheias do rio Purus. Estima-se que mais de 200 famílias da Reserva Extrativista do Médio Purus (RESEX) estão desabrigadas e correndo riscos de perder a colheita deste ano, armazenadas dentro das residências.

Segundo o presidente da Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas do Médio Purus (ATAMP), José Maria Carneiro de Oliveira, o município de Pauini é o mais afetado. Conforme José Maria, há duas semanas o nível das águas tem aumentado rapidamente e na última semana a situação se agravou.



José Maria afirma que mais de 200 famílias estão desabrigadas e estima-se que outros ribeirinhos extrativistas percam suas casas até o fim de semana. “Eles estão improvisando para não perder seus lares. Os que moram próximos a terra firme estão indo para lá e os que não têm como sair de suas casas estão tentando subir assoalho até onde conseguem”, afirma o presidente da ATAMP.

Conforme José Maria as escolas e postos de saúde do município estão fechadas e o atendimento a população está sendo feita de forma deficiente. “As comunidades ribeirinhas são as mais afetadas, pois estão praticamente debaixo d’água”, diz.

Outra preocupação dos moradores é com a produção agrícola dos municípios. Segundo o presidente da ATAMP a mandioca cultivada no início do ano e armazenada nas casas corre sérios riscos de se perder durante a alagação o que irá ocasionar uma crise na economia local.

Os habitantes reclamam ainda da falta de assistência da Defesa Civil, que até o momento não enviou ajudas as famílias mais necessitadas. “Acredito que até o fim desta semana a situação se agrave em Lábrea também e estamos muito preocupados”, completa José Maria.

Ajuda não solicitada

A assessoria da Defesa Civil do Amazonas afirmou que os municípios de Lábrea e Pauini ainda não solicitaram ajuda do órgão. Segundo a Defesa Civil, o Estado só pode interferir após notificação da prefeitura do município e/ou em situação de emergência.

A Defesa Civil alega ainda que está realizando monitoramento de rotina das áreas afetas e que estão prestando assistência aos demais municípios da calha do Juruá e Purus.


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