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Matriarca do povo Sateré-Mawé morre vítima de parada cardiorrespiratória

A notícia da morte dela foi lamentada entre lideranças, organizações, comunidades, pesquisadores e demais pessoas ligadas aos povos indígenas 14/03/2013 às 09:55
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Dona Terezinha lutava contra o diabetes e estava internada há quase um mês, por conta de uma queda
acritica.com Manaus (AM)

Considerada a matriarca do povo Sateré-Mawé em Manaus, a indígena Tereza Ferreira de Souza, morreu na manhã desta quarta-feira (13) aos 97 anos, vítima de parada cardiorrespiratória. Dona Terezinha (como era conhecida) nasceu na aldeia Ponta Alegre, no baixo rio Amazonas, e era mãe de oito mulheres, dentre as quais Zenilda da Silva, a Aruru (fundadora da Associação das Mulheres Indígenas Sateré-Mawé), e Zelinda da Silva, a Dona Bacu, da aldeia Sahu-Apé, local onde o corpo será enterrado na manhã desta quinta-feira (14).

Dona Terezinha lutava contra o diabetes e estava internada há quase um mês, por conta de uma queda. A notícia da morte dela foi lamentada entre lideranças, organizações, comunidades, pesquisadores e demais pessoas ligadas aos povos indígenas. “Graças à luta de pessoas como ela é que hoje temos uma secretaria e a participação indígena dentro do Governo do Amazonas”, destacou o titular da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind), Bonifácio José Baniwa. “Nós, seus filhos e netos estamos no caminho que ela nos ensinou”, enfatizou o secretário.   

Dona Terezinha chegou à capital amazonense no fim da década de 1960 e morava na Aldeia Iwi, que significa Gavião em saterê. Há uma semana, ela foi transferida para o polo base de saúde de Manacapuru (a 84 quilômetros de Manaus), para ser acompanhada de perto por familiares de Sahu-Apé. “Além de cair, ela estava com o braço queimado”, lamentou Lucemir Freitas, o Batata, neto da indígena.

Mito

De acordo com o antropólogo Luciano Cardenes, o falecimento de Dona Terezinha representa a morte de uma guerreira e o nascimento de um mito. “As comunidades Sateré-Mawé de Manaus perdem a presença física de uma guerreira que ao passar para o mundo de Tupana, torna-se o mito que sempre foi”, destaca o pesquisador.

Dona Terezinha chegou à capital amazonense no fim da década de 1960. Segundo Luciano, a história de migração dela é o elemento primordial para a existência, início e formação das comunidades indigenas Yapyrehyt, no bairro (bairro Redenção, em Manaus), Inhã-bé (Igarapé Tarumã-Açu) e Sahu-Apé (Iranduba). “Deixa de ser uma trajetória individual e passa a ser o mito de origem dos Sateré-Mawé dessas comunidades de Manaus e região metropolitana”, destacou Luciano Cardenes.

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