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Amazônia
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Mesmo com a exuberância da fauna, turismo ecológico esbarra na falta de políticas públicas

O vermelho da arara  é um dos símbolos do Amazonas para o turismo ecológico, mas para o guia Felipe Fonseca, ele serve como um alerta para o setor 23/10/2015 às 14:56
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Do alto de sua experiência como guia, Felipe alerta para medidas que podem ajudar o setor
Omar Gusmão ---

Símbolo tropical da exuberância natural brasileira, a arara vermelha (Ara chloropterus) atrai a atenção e curiosidade de turistas há séculos, se tornando um emblema do turismo no Brasil e, consequentemente, na Amazônia. Segundo o guia turístico Felipe Fonseca, 53, que também é tradutor e intérprete formado na universidade de Innsbruck, na Áustria, o vermelho das araras encanta os turistas, que acham que, ao chegar a Manaus, verão araras e papagaios voando nos céus da cidade.

E olha que a ideia dos turistas não chega a estar muito longe da realidade. Durante a conversa com Felipe, ao cair da tarde, três araras vermelhas passaram por cima de nossas cabeças, em plena avenida André Araújo. Mas a verdade é que a visão romântica que os turistas têm da Amazônia nem sempre se concretiza. “Muito da curiosidade tem a ver com o fato de que as araras são monogâmicas. O que os turistas não levam em conta é o fato de que os animais da floresta têm o costume de se camuflar e nem sempre aparecem”, diz, acrescentando que o boto, especialmente o chamado pelo caboclo de vermelho e conhecido mundo afora como cor de rosa, tem se transformado no principal atrativo turístico animal daqui nos últimos anos.

O envolvimento de Felipe com o turismo vem de longe. “Trabalho como guia desde o tempo da pioneira Selvatur, no Hotel Amazonas, primeiro hotel cinco estrelas da cidade. Levava o turista ao primeiro hotel flutuante da região, o Janauarilândia”, recorda.

Desde então, Felipe passou 35 anos morando na Europa. Só em Berlim, foram 22 anos. Em 2012, decidiu voltar a fixar residência em Manaus. Com esse hiato de experiência europeia, o guia tem muito o que observar sobre o turismo em Manaus hoje em dia. “Em relação aos anos 70, acho que diminuiu um pouco na quantidade. Na questão ambiental, hoje nós vemos uma preocupação maior em preservar a floresta, até por parte dos próprios ribeirinhos”, diz.

Pontos a melhorar

Entusiasta e um dos principais interessados em que a atividade turística se desenvolva cada vez mais na cidade – afinal é de onde tira seu sustento –, Felipe vê algumas falhas que poderiam ser sanadas. “A infraestrutura, a mão de obra especializada e a prestação de serviços deixam muito a desejar”, opina. “Os antigos hotéis, que até hoje funcionam como cinco estrelas, não oferecem os serviços que deveriam oferecer. Os preços também são altos, tanto para chegar aqui, quanto os de alguns serviços oferecidos na cidade”, diz Felipe, cuja opinião é que um pouco mais de seriedade por parte dos empresários do setor ajudaria a otimizar o turismo na cidade.

Para o guia turístico, o respeito à existência de um sindicato dos guias turísticos e às leis  já existentes também são de importância fundamental para o pleno desenvolvimento da vocação turística de Manaus e do Amazonas. Opinião que é compartilhada pela presidente do sindicato de Guias Turísticos do Amazonas, Rocilda Oliveira da Silva. “A profissão já é regulamentada, mas falta fiscalização. As agências não querem saber da qualidade do serviço. Tem uma lei criada pela prefeitura em 2010 que obriga as agências a só contratarem guias devidamente credenciados, mas falta regulamentação e fiscalização”, denuncia.

“O guia é a pessoa com quem os estrangeiros têm mais contato. É um cartão de visitas. Todas as impressões e informações que o estrangeiro tem são dadas pelo guia. Há profissionais muito bem capacitados, mas que precisam ser reconhecidos como tal para não serem colocados à margem do processo”, reivindica Felipe.

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