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Amazônia
Meio ambiente

Moradores denunciam que águas do Lago do Aleixo continuam sendo poluídas

Segundo eles, o lago recebe dejetos oriundos de vários locais, entre eles fábricas, unidade prisional e da própria população; como a comunidade não tem um sistema de tratamento de esgoto, toda água que não é servida vai parar no leito do rio 28/04/2016 às 12:48 - Atualizado em 28/04/2016 às 14:47
Paulo André Nunes Manaus (AM)

A quantidade de dejetos que é despejada diariamente no Lago do Aleixo, há vários anos, e partindo de vários locais, vai fazendo com que, aos poucos, aquele lugar da Zona Leste da cidade esteja condenado à podridão. O alerta é feito pelo Centro Social e Educacional do Lago do Aleixo (Csela), com base no histórico de poluição da área situada na Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste da cidade.

Algumas das principais críticas recaem sobre a Indústria de Papel Sovel da Amazônia Ltda que é, segundo os moradores, uma das principais responsáveis por poluir as águas do lago com os dejetos oriundos da fábrica, ressalta Edivaldo Barreto, presidente da Csela.

A ação civil pública nº 0014069-21.2013.4.01.3200, que tramita na 7ª Vara Federal no Amazonas, teve decisão liminar, em 2013 que determinou a suspensão imediata do despejo de efluentes no lago por parte da empresa. O processo que partiu dos comunitários e que foi movido pelo Ministério Público Federal do Amazonas (MPF-AM) segue em tramitação na Justiça.

“Há anos que lutamos para que desassoriem o nosso lago, mas aagora foram tomadas providências. A cada dia a poluição aumenta por conta das fábricas que jogam os seus dejetos na água. Inclusive a fábrica de papel Sovel é uma das maiores poluidoras”.

Mas o problema é bem maior: o morador conta que não é apenas a empresa quem polui o local. Ele explica que, como a comunidade não tem um sistema de tratamento de esgoto, toda água que não é servida vai parar no leito do rio. É o caso da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), que fica na comunidade Bela Vista, bem como as unidades de saúde pública os hospitais públicos e as empresas instaladas no Distrito Industrial 2.

“Temos registrado uma grande quantidade de verminoses, dermatoses e diversos tipos de situações de malefício à saúde. Ultimamente ficamos sabendo do aumento de casos de câncer na comunidade, e atribuímos isso à poluição. A situação está difícil”, disse Edivaldo Barreto.

Ele supõe que a morte do peixe-boi fêmea, encontrado na última terça no Lago do Aleixo, possa ter relação com a poluição do local.

Navegador

Guiando sua canoa e parando para falar com a reportagem , o carpinteiro e pedreiro Francisco Nunes, o Cobó, de 52 anos, lamenta a poluição do lago. “Você precisava ver como isso aqui era antes. Muito bonito. Agora está poluído em vários pontos. Tinham que mandar limpar para melhorar a situação”, fala ele.

Próximo dali, num dos trechos do rio, uma família se banhava tranquilamente sem se importar com a situação iminente do local. É o caso do casal de banhistas Wesley Pinheiro, 23, e Karla Jaqueline, 19, que se refrescavam em meio à manhã quente (por volta de 32 graus) do meio-dia de ontem.

“Tem poluição? ‘Tudo bem’, mas não temos outra opção e o único jeito é tomar banho aqui mesmo pra fugir do calor”, contou Wesley, que é autônomo. “É a forma que encontramos para usufruir do lago”, destaca a esposa. Curiosamente, os banhistas do local usavam, em vez de uma boia ou colete, garrafas pets para flutuar n’água.

Personagem: Francisco Feitoza Borracheiro

Morador da rua Ernesto Costa, na Colônia Antônio Aleixo, a mesma da empresa Sovel, o borracheiro Francisco Feitoza, mais conhecido como “Chicão”, diz sofrer diariamente com o cheiro do lixo que é despejado nas águas do Lago do Aleixo.

Residindo com a esposa e mais 9 filhos, ele diz ter sofrido dores de cabeça e mal estar por muitos anos em decorrência do odor insuportável. “Nós sofremos com esse problema de mau cheiro horrível e intenso que tem aqui em frente à nossa borracharia e não dá para aguentar. Às vezes falta até o ar. Não estamos mais suportando isso”, declarou ele.

“Esse cheiro é forte o ano todo. Nesses tempos melhorou até mais, pois parece que eles (Sovel) mudaram o tratamento de água. Certa vez eu reclamei para um gerente e ele mandou implantar um produto que ‘cheirava’ melhor”, explica Chicão, que reside no bairro há 12 anos.

Empresa tenta se adequar

Em contato com a reportagem de A Crítica, o gerente da Sovel, Gastão Justus, não soube informar se a empresa foi multada pelas irregularidades no despejo de dejetos no lago, e tampouco o valor.

No entanto, ele garantiu que a empresa tem em vigor “um plano de recuperação da área degradada”, e que todos os esforços estão sendo feitos para, “aos poucos, tentar regularizar a situação no local”. “Temos um sistema de tratamento e clorificação da água, bem como todas as licenças de operação em vigor estão em conformidade”, informou.

Em relação ao lixo que é despejado pelos próprios moradores no Lago do Aleixo, Gastão Justus disse que não há como generalizar que todos os comunitários joguem seus dejetos no local.

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