Quarta-feira, 14 de Abril de 2021
Doença de Minamata

Morre ambientalista intoxicado por mercúrio de garimpos na Amazônia

Cassio Freire Beda desenvolveu a doença de minamata após comer peixe intoxicado com mercúrio largamente utilizado em garimpos no Rio Tapajós, no Pará



y66_9F975A25-88BB-49E3-B8E6-0F341C74A15D.JPG Foto: Divulgação
05/04/2021 às 18:52

 

Morreu nesta segunda-feira (5), o ambientalista e ativista Cassio Freire Beda, natural de São Paulo-SP. Beda desenvolveu a doença de minamata, após ser intoxicado com mercúrio utilizado em garimpos no Rio Tapajós. O ambientalista atuou contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, auxiliando as populações locais na reinvidicação dos direitos de atingidos.



Sua atuação era ligada a trabalhos desenvolvidos na área de gestão territorial, extrativismo e associativismo na Terra do Meio (PA) em unidades de conservação com comunidades ribeirinhas prioritariamente e também com indígenas. Em sua atuação como tecnólogo, ormado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Cassio foi trabalhar no Instituto Socioambiental (ISA), em 2014.

"O Beda não só construiu a ponte com as populações locais, mas também contribuiu para documentar as violações que ocorrem na Amazônia, principalmente na questão dos garimpos", conta Adriano Rocha, pesquisador de Ciências Ambientais da Universidade Federal do Pará (UFPA), e um dos companheiros de Beda nos projetos com ribeirinhos. 

Após a intoxicação por mercúrio através do consumo de peixe, o desenvolvimento dos sintomas e a caracterização dos critérios de diagnóstico da doença de minamata, Cássio foi classificado com provável esclerose lateral amiotrófica - ELA, doença sem cura e progressiva que leva a morte em alguns anos.

Na literatura científica, são conhecidos 36 casos de pacientes de ELA ou síndrome de ELA associada a intoxicação por mercúrio onde 14 vieram a óbito devido à ELA. O processo de absorção e acúmulo de mercúrio pelos neurônios motores leva à ELA crônica.

A Faculdade de Tecnologia da Universidade Estadual de Campinas lamentou profundamente o falecimento do ex-aluno. 

Morte gera alerta 

Em um vídeo divulgado semanas antes de morrer, Beda aponta a necessidade para que equipes de saúde indígena consigam diagnosticar possíveis pacientes com a doença. A alta presença de mercúrio em peixes já foi identificada em 100% de amostras de um estudo realizado pela UFPA, em 2016. "De la prá cá, a Fundação Nacional do Índio não criou nenhuma diretriz para identificar possíveis intoxicações", explica o pesquisador Adriano Rocha. 

"Tem 600 quilos de mercúrio na região do rio Tapajós sendo utilizados em apenas um garimpo. Quem nos contou foram oos próprios garimpeiros. É preciso que um alerta na região do Tapajós seja emitido. Os peixes estão contaminados de mercúrio", finaliza Adriano. 

 

Repórter

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