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Morte ‘em massa’ de periquitos em Manaus não foi por raticidas, diz laudo do Ipaam

Órgão já recebeu resultado dos exames toxicológicos feitos por um grupo de especialistas em Minas Gerais: envenenamento é o menos provável, mas não está descartado, já que agrotóxicos foram encontrados nos exames. Atropelamento e doenças microbiológicas completam a lista de linhas de investigação 20/12/2014 às 19:21
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Na última terça-feira, mais 40 periquitos foram encontrados mortos na avenida Ephigênio Salles. Os animais foram coletados pela Dema e encaminhados para a perícia
raphael lobato e luana carvalho Manaus (AM)

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) divulgou, durante coletiva de imprensa realizada na manhã deste sábado (20) na sede do órgão, que o laudo das investigações conduzidas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sobre a morte em massa de mais de 200 periquitos, encontrados caídos na avenida Ephigênio Salles, bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul de Manaus, desde o dia 27 de novembro, garante que as mortes não foram causadas por veneno de rato nem "chumbinho".

Segundo Antonio Ademir Stroski, presidente do Ipaam, o envenenamento proposital como causa da morte das aves é o menos provável, apesar de não estar completamente descartado. O teste acusou sim agrotóxicos nos corpos dos pássaros, mas isso não pode ser apontado como fator principal da morte devido à alimentação dos periquitos-de-asas-brancas, que têm vida livre e se alimentam nos mais diversos locais.

De acordo com o laudo enviado ao Ipaam pela toxicologista mineira Marília Martins, foram encontrados "níveis residuais" de agrotóxicos nos cadáveres dos periquitos, o que indica que pode ter havido contaminação por alimentos, já que as substâncias identificadas são comumente achadas em frutas, grãos ou produtos agrícolas. O laudo descartou, ainda, intoxicação por venenos tradicionais, como para ratos ou "chumbinho". 

"O Ipaam está buscando o que de fato aconteceu, para poder atribuir responsabilidades. Não se pode esquecer que temos uma população viva da espécie e estamos adotando medidas para protegê-la", disse Stroski.

O Instituto trabalha com três linhas de investigação: envenenamento, que ainda vai contar com análises mais profundas; atropelamento; e doenças microbiológicas. A análise  estava sendo feita no laboratório de toxicologia da UFMG porque, segundo o Ipaam, o Amazonas não possui laboratório de toxicologia veterinária.

A universidade está em período de férias, mas cinco profissionais, sendo quatro veterinários e um químico, trabalharam nas pesquisas de substâncias nas amostras dos periquitos de asas brancas. O exame toxicológico é capaz de identificar indícios de exposição ou ingestão de produtos tóxicos ou substâncias causadoras de intoxicação.

As investigações devem continuar em andamento no Departamento de Clínica e Cirurgia Veterinária da UFMG. Descartada a hipótese de envenenamento por raticidas, o Instituto quer estudar se houve atropelamento ou se a morte em massa dos animais foi causada por alguma espécie de doença viral.

Em seu relatório, o Ipaam lista um conjunto de medidas a serem adotadas em parceria com o governo. Veja, na íntegra, as sugestões do órgão:

- Consultar Manaustrans sobre possível redução de velocidade no trecho da av. Ephigênio Sales que corresponde a área usasa pelas aves como abrigo;

- Poda de árvores localizadas no canteiro central da avenida - essa medida começou a ser executadas ainda neste sábado;

- Produção de folheto alusivo à espécio para ser distribuido nos condominios e empreendimentos no entorno;

- Colocação de painel proximo a parada de ônibus e banner com informações importantes para a proteção dos animais.

Entenda o caso

No dia 27 de novembro, mais de 200 periquitos apareceram mortos em plena avenida Ephigênio Salles, no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul. O caso causou revolta na população e principalmente nos protetores de animais, que acreditam na hipótese de envenenamento. Dois dias depois, uma manifestação reuniu cerca de 300 pessoas, cobrando investigação por partde de órgãos ambientais.

Na última terça-feira (16), outras 50 aves foram encontradas mortas na mesma via. Desta vez, policiais da Delegacia Especializada em Crimes contra o Meio Ambiente e Urbanismo (Dema) encontraram um pincel com suposta substância tóxica perto das árvores de onde as aves caíram. O produto será analisado. Enquanto isso, 

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