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Amazônia
MOSQUITO DO BEM

Mosquito geneticamente modificado está pronto para combater o Aedes aegypti

Conforme a pesquisa da empresa britânica Oxitec, pioneira no uso de mosquitos geneticamente modificados, a estratégia consiste em reduzir a população selvagem do mosquito 01/04/2016 às 04:45 - Atualizado em 01/04/2016 às 09:44
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Aedes do Bem, geneticamente modificado, combate a proliferação (Foto: Reprodução/Internet)
Náferson Cruz Manaus (AM)

Mais uma ferramenta está pronta para ser usada em grande escala no combate a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da Zika, Dengue e Chikungunuya. Trata-se de um inseto geneticamente modificado, que, ao copular com as fêmeas no ambiente, impede seus descendentes de chegar à idade adulta.

Conforme a pesquisa da empresa britânica Oxitec, pioneira no uso de mosquitos geneticamente modificados, a estratégia consiste em reduzir a população selvagem do mosquito.

Mas, de que forma especificamente? Por e-mail, o diretor da Oxitec, Glen Slade, respondeu ao A CRÍTICA que a empresa desenvolveu a tecnologia do “Aedes aegypti do Bem”, um mosquito macho que busca fêmeas selvagens no ambiente para inseminá-las e tornar sua prole inviável.

“O mosquito, um animal geneticamente programado para morrer sem deixar descendentes, obteve resultados positivos em cinco diferentes testes de campo, três deles no Brasil”, disse Slade, ressaltando os efeitos positivos. “O mosquito geneticamente modificado é uma “arma” eficaz e segura que está pronta para ser usada, pois estamos falando de  um mosquito  programado para morrer sem deixar descendente”.

Segundo Glen Slade, diferentemente de outras abordagens, o Aedes do Bem não deixam pegada ecológica. “O Aedes do Bem liberado no ambiente morre sem deixar descendentes, portanto não persiste no ecossistema”, complementa.

Testes

Testados em bairros de dois municípios na Bahia, os Aedes do Bem conseguiram reduzir em até 99% a população selvagem de Aedes aegypti nas áreas tratadas. Em um município de São Paulo, resultados preliminares mostraram uma redução de 82% em larvas selvagens nas áreas tratadas com o mosquito do Bem, em comparação com a área não tratada.

Em abril de 2014, o Aedes do Bem recebeu aprovação de biossegurança da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Agora, aguarda a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser comercializado.

Na última semana, o projeto da Oxitec, recebeu apoio do governo federal, que estuda uma forma de implantá-lo nas demais regiões do País, porém, ainda não há previsão de quando os mosquitos do Bem, devem entrar em cena.

Municípios estão em ‘sentinela’ contra o vetor de doenças

Enquanto as pesquisas e novas alternativas de combate à proliferação do Aedes aegypti ainda estão em curso,  o mosquito sombrio colocou em sentinela mais de 40 municípios, onde o Aedes está presente. O infectologista Antônio Magela, do Departamento de Assistência Médica (DAM) da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT/HVD),  explica que apesar do aumento dos criadouros do mosquito no período de chuva, em decorrência do aumento de reservatórios de água parada, a fêmea aegypti prefere depositar os ovos em local seco. “Ela não deposita na água, mas em áreas secas, na superfície dos recipientes, onde os ovos podem ficar esperando até um ano sem água, pois sabem que em certo momento vai haver água, principalmente em nossa região que chove todos os dias”, detalhou.

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